Você já ouviu falar em Consciência Alimentar?
Foto: Criada via Chat GPT
Vivemos uma época em que nunca se falou tanto sobre alimentação. Dietas, suplementação e as famosas “canetas emagrecedoras” passaram a fazer parte das conversas do dia a dia e ganharam ainda mais força com a influência das redes sociais. Ao mesmo tempo, muitas pessoas seguem com dificuldade de manter uma relação equilibrada com a comida, com o corpo e com os próprios hábitos.
Porque alimentação não envolve apenas o que colocamos no prato. Ela também envolve emoções, rotina, cultura, memória, prazer e a forma como nos relacionamos com nós mesmos.
Nesse contexto, torna-se cada vez mais importante conhecer a Consciência Alimentar, conceito relacionado ao Mindful Eating (alimentação consciente), abordagem baseada nas práticas de mindfulness e atenção plena difundidas no Ocidente pelo médico Jon Kabat-Zinn e aprofundadas por profissionais como a médica Jan Chozen Bays.
A proposta é desenvolver presença no ato de comer. Perceber sinais de fome e saciedade, observar emoções, pensamentos e reduzir o chamado “comer automático”, tão comum na rotina acelerada atual.
O Mindful Eating também propõe uma relação de maior conexão com a comida e com o próprio corpo, sem julgamentos excessivos sobre aquilo que se sente, pensa ou come. A ideia não é buscar perfeição, mas desenvolver mais consciência e responsabilidade nas escolhas.
Hoje, a ciência do comportamento alimentar mostra uma importante mudança de paradigma. Mudanças sustentáveis não acontecem somente através de regras rígidas, mas também pela consciência e pela relação construída com a comida.
Inclusive, no posicionamento da ABESO de 2022 sobre tratamento da obesidade, estratégias como Mindful Eating e entrevista motivacional aparecem como ferramentas relevantes no cuidado nutricional e comportamental do paciente.
Em um momento em que as medicações para emagrecimento ganharam grande espaço nas discussões sobre saúde, especialistas também reforçam a importância do cuidado comportamental durante esse processo. Medicamentos podem auxiliar mecanismos relacionados à fome e saciedade, mas mudanças sustentáveis também dependem da construção de hábitos e da relação com a alimentação.
Nesse contexto, o nutricionista exerce um papel importante ao ajudar o paciente a compreender sua alimentação de forma mais ampla, considerando não apenas nutrientes, mas também comportamento, rotina, sinais do corpo e individualidade.
Porque, no fundo, talvez a pergunta não seja apenas “o que estou comendo?”, mas também “como estou vivendo?”.
“A forma que comemos é a forma que vivemos. Quando mudamos a forma de comer, mudamos a forma de viver”, Jan Chozen Bays.

*Gabriela Braga Mori Takagi é nutricionista com atuação voltada ao comportamento alimentar, mindful eating e abordagem integrativa. Atualmente, desenvolve um trabalho focado não apenas na alimentação, mas também na relação emocional e comportamental das pessoas com a comida, buscando promover mais equilíbrio, consciência e bem-estar.

