Maio Laranja reforça importância da conscientização e do combate à violência sexual infantil

Maio Laranja reforça importância da conscientização e do combate à violência sexual infantil

Foto: Divulgação Governo Federal

A campanha Maio Laranja reforça, em todo o país, a importância do combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, trazendo à tona um tema delicado, mas essencial para a proteção da infância. O mês de maio foi escolhido em referência ao caso da menina Araceli Crespo, de apenas 8 anos, assassinada em 1973, em Vitória (ES). O crime, que chocou o Brasil pela brutalidade, tornou-se símbolo da luta pelos direitos das crianças e adolescentes. Em 2000, a Lei Federal nº 9.970 instituiu o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A mobilização busca conscientizar famílias, educadores e toda a sociedade sobre a importância da prevenção, da denúncia e do acolhimento às vítimas.

Em entrevista ao jornal AGORA NA REGIÃO, a psicóloga Mariele Tortoza destacou que campanhas como o Maio Laranja são fundamentais para romper o silêncio que ainda envolve muitos casos de violência sexual infantil. Segundo a profissional, grande parte das situações acontece dentro do próprio ambiente familiar ou envolve pessoas próximas da vítima, o que torna a denúncia ainda mais difícil e amplia os impactos emocionais sofridos pela criança. “É um tema difícil, mas extremamente necessário. Muitas situações acontecem dentro do ambiente familiar ou com pessoas próximas da criança, o que faz com que o medo e o silêncio sejam ainda maiores. Precisamos falar sobre isso para conscientizar famílias e fortalecer a rede de proteção”, afirmou.

Mariele atua como psicóloga há nove anos e possui pós-graduação em Neuropsicologia. Há três anos trabalha diretamente na área da neuropsicologia, realizando avaliações psicológicas e intervenções voltadas principalmente ao público infantojuvenil. Atualmente, atende em sua clínica e também no CER II da APAE de Mirandópolis, Centro Especializado em Reabilitação voltado ao atendimento de pessoas com deficiência física e intelectual. O espaço conta com uma equipe multidisciplinar formada por médicos, psiquiatras, fisioterapeutas, ortopedistas, psicólogos, enfermeiros e outros profissionais da saúde, oferecendo acompanhamento integrado aos pacientes e familiares.

Mariele Tortoza em seu escritório de atendimento psicológico, lugar onde recebe diariamente crianças e adolescentes. Foto: Gabriel Leite

ATENÇÃO REDOBRADA

Durante a entrevista, a psicóloga explicou que muitos casos de abuso não começam de forma explícita, o que exige atenção redobrada por parte das famílias. “Muitas vezes o abuso começa de maneira silenciosa, através de brincadeiras inadequadas, invasão de limites e situações que deixam a criança desconfortável. Por isso é importante observar mudanças de comportamento e manter um diálogo aberto dentro de casa. A informação protege, ensinar a criança a reconhecer os seus limites e entender que existem partes íntimas do corpo para saber identificar situações inadequadas”, destacou. 

Outro ponto abordado pela profissional foram os impactos psicológicos causados pela violência sexual infantil, que podem acompanhar a vítima por muitos anos. Segundo estudos, o abuso pode desencadear consequências graves, como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, baixa autoestima, dificuldades nos relacionamentos e transtornos emocionais. A psicóloga destacou ainda que mudanças repentinas no comportamento infantil podem funcionar como sinais de alerta, incluindo isolamento, medo excessivo, agressividade, tristeza constante, dificuldade para dormir, queda no rendimento escolar e medo de determinadas pessoas ou ambientes. “A criança muitas vezes não consegue expressar verbalmente aquilo que está acontecendo, mas demonstra sofrimento através do comportamento”, ressaltou.

Foto: Divulgação Governo Federal

Mariele também chamou atenção para os cuidados relacionados ao ambiente digital e ao uso das redes sociais. Segundo ela, o acompanhamento familiar é indispensável diante da facilidade de acesso a conteúdos inadequados e do contato com desconhecidos por meio das plataformas digitais. “Os responsáveis precisam acompanhar o que os filhos acessam, com quem conversam e quais conteúdos consomem. A internet traz benefícios, mas também apresenta riscos importantes para crianças e adolescentes”, afirmou.

Ao falar sobre acolhimento e denúncia, a psicóloga reforçou que qualquer suspeita deve ser levada a sério e que a escuta da criança precisa acontecer de forma acolhedora, sem julgamentos ou culpa. Casos de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados anonimamente pelo Disque 100. “Proteger uma criança é responsabilidade de todos nós. Precisamos romper o silêncio, orientar as famílias e garantir que crianças e adolescentes cresçam em ambientes seguros e livres de violência”, concluiu.

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