Rosa Menegatti Ramires: 100 anos de uma vida construída com trabalho e perseverança

Rosa Menegatti Ramires: 100 anos de uma vida construída com trabalho e perseverança

Foto: Eduardo Mustafa

Com muita lucidez, bom humor e disposição, Rosa Menegatti Ramires chega aos 100 anos carregando uma trajetória marcada pelo trabalho, pela superação e pelo amor à família. Nascida em 26 de maio de 1926, em Lins, Rosa viveu as transformações de diferentes gerações, construiu sua vida em Mirandópolis e dedicou décadas ao cuidado das pessoas através da área da saúde. Filha de trabalhadores rurais, cresceu no sítio ao lado dos irmãos e enfrentou desde cedo as dificuldades da vida simples do interior. Viúva ainda jovem, precisou criar a filha praticamente sozinha, trabalhando lavando roupas e mais tarde atuando no hospital, onde construiu uma carreira de muitos anos. Hoje, aos 100 anos, Rosa segue esbanjando simpatia, memória afiada e histórias emocionantes de uma vida inteira dedicada ao trabalho e à família.

Como foi sua infância?

Minha infância foi na roça, junto da família. Nasci em Lins, mas meus pais ficaram poucos anos por lá. Depois vieram para a região da Companhia Inglesa e mais tarde para Murutinga do Sul. Meus pais trabalhavam na lavoura e nós fomos criados no sítio. Somos cinco irmãos, um deles é o Claudio Menegatti, alfaiate, e tivemos uma vida simples, mas muito unida. Naquele tempo as coisas eram difíceis, mas também existia muito respeito e companheirismo entre as famílias.

Quando a senhora veio para Mirandópolis?

Cheguei em Mirandópolis entre o fim da década de 40 e começo dos anos 50. Foi aqui que construí praticamente toda minha vida. Casei, tive minha família e comecei a trabalhar. A cidade era bem diferente naquela época, menor e muito tranquila. Vi Mirandópolis crescer ao longo dos anos.

A senhora passou por momentos difíceis ainda jovem, não é?

Passei sim. Meu marido faleceu quando eu tinha apenas 31 anos. Minha filha Fátima ainda tinha um aninho de idade. Antes disso, eu já tinha perdido outra filha, que faleceu com apenas 10 meses, vítima de cólera. Foram momentos muito dolorosos. Depois que fiquei viúva, fui morar com meus pais. Mais tarde meu pai comprou uma casa perto da Escola Noêmia (Cene) e comecei a lavar roupas para conseguir sustentar minha filha e seguir em frente.

Dona Rosa ao lado da filha Fátima, dos netos Eduardo e Eloisa, e dos respectivos cônjuges. Foto: Facebook / Fátima

Como começou sua trajetória na área da saúde?

Comecei trabalhando na antiga Casa de Saúde e depois fui para o antigo Hospital das Clínicas, hoje chamado de Hospital Estadual. Tomei posse oficialmente em 1966, mas já trabalhava lá havia cerca de dois anos. Entrei como cozinheira e depois fui para a enfermagem. Sempre gostei muito do meu trabalho. Gostava de cuidar das pessoas, de estar em movimento, de ajudar. Trabalhei muitos anos no hospital e também como cuidadora. Cheguei até a furar a orelha de muitos recém-nascidos da cidade.

O trabalho sempre esteve muito presente na sua vida?

Sempre. Trabalhei muito a vida inteira. Acho que isso ajudou bastante na minha disposição. Minha rotina sempre foi acordar cedo e dormir cedo. Muitas vezes perdi noites de sono trabalhando em plantões e turnos corridos no hospital. Até hoje acordo cedo, às vezes às quatro da manhã, e não consigo mais dormir.

Sua filha também teve uma trajetória marcada por desafios?

Sim. Minha filha Fátima foi para São Paulo em 1978 em busca de oportunidades. Depois se casou em 1982, mas acabou ficando viúva apenas cinco anos depois. Ela retornou para Mirandópolis em 1989. Nós sempre fomos muito unidas, enfrentando tudo juntas.

Qual o segredo para chegar aos 100 anos com tanta lucidez e disposição?

Acho que o segredo é trabalhar, se manter ativa e ter vontade de viver. Eu e meu irmão, que está com 97 anos, sempre fomos pessoas muito trabalhadoras. E também levo a vida com alegria. Brinco que ainda sou uma menininha. Gosto de conversar, passear, viajar e estar perto da família.

O que mais lhe traz felicidade hoje?

Minha família. Tenho dois netos e três bisnetos, que são minhas maiores alegrias. Também fico feliz por olhar para trás e ver tudo o que consegui enfrentar e superar ao longo da vida. Sou muito grata por chegar aos 100 anos com saúde, memória e cercada pelas pessoas que amo.

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