Além da vergonha: como Jaqueline Rabelo ajuda pacientes a recuperarem a qualidade de vida

Além da vergonha: como Jaqueline Rabelo ajuda pacientes a recuperarem a qualidade de vida

Foto: Ana Letícia

A dedicação aos estudos e o desejo de cuidar das pessoas levaram Jaqueline Moreira Rabelo a construir uma trajetória de mais de 15 anos na fisioterapia. Nascida e criada em Mirandópolis, ela trocou a área da contabilidade pela saúde e encontrou na fisioterapia pélvica uma missão: ajudar homens e mulheres a recuperarem qualidade de vida, autoestima e bem-estar. Hoje, é a única profissional especializada na área atuando no município e trabalha para conscientizar a população sobre tratamentos que ainda são cercados por dúvidas e preconceitos.

Como foi sua infância?

Tive uma infância tranquila em Mirandópolis, cercada pela minha família. Sou filha de Edson (In Memoriam) e Sandra Rabelo e sempre estudei na cidade. Meus pais sempre valorizaram muito a educação e me incentivaram a buscar meus objetivos.

Por que escolheu a Fisioterapia?

Quando terminei a escola, comecei a cursar Ciências Contábeis e cheguei a trabalhar na área. Mas sempre sentia uma ligação maior com a saúde. Quando surgiu a oportunidade de ingressar em fisioterapia pelo ProUni, decidi mudar de caminho e seguir aquilo que realmente fazia sentido para mim.

Como foi essa mudança?

Foi uma decisão importante. Eu trabalhava e estudava ao mesmo tempo para custear minha formação. Passei por escritórios de contabilidade, pela Prefeitura e outras atividades. Foi uma fase de muito esforço, mas que me ensinou a importância da dedicação e da persistência.

O que a profissão representa para você?

A possibilidade de transformar a vida das pessoas. Muitas vezes o paciente chega enfrentando dores, limitações ou dificuldades que afetam sua rotina. Participar da recuperação e acompanhar essa evolução é algo muito gratificante.

Como conheceu a fisioterapia pélvica?

Após a graduação, fiz especializações em Fisioterapia Hospitalar e Osteopatia. Depois conheci a fisioterapia pélvica e me identifiquei com a área. Percebi que poderia ajudar pessoas que conviviam com sintomas muitas vezes tratados como algo normal ou cercados por vergonha.

O que é a fisioterapia pélvica?

É uma especialidade voltada ao tratamento das disfunções do assoalho pélvico. Atua em casos como escape urinário, dores durante as relações sexuais, sintomas da menopausa, preparação para o parto e recuperação pós-parto, além de situações que afetam os homens, como incontinência urinária após cirurgias de próstata e disfunção erétil.

Jaqueline atende em seu consultório na rua São João, nº 1625. Foto: Ana Letícia

Como é atuar nessa área?

É uma área que exige acolhimento e confiança. Muitas pessoas chegam ao consultório com receio de falar sobre o que estão sentindo. Por isso, é importante mostrar que esses problemas têm tratamento e que ninguém precisa enfrentar isso sozinho.

O preconceito ainda existe?

Sim, mas tem diminuído. Hoje as pessoas têm mais acesso à informação e estão entendendo que muitos sintomas não são normais. Quanto mais falamos sobre o assunto, mais pacientes procuram ajuda e conseguem melhorar sua qualidade de vida.

Como foi construir sua carreira?

Após me formar, trabalhei em hospital, clube e também com atendimentos domiciliares. Depois passei a atender em consultório e, desde 2017, estou no espaço onde atuo atualmente. Foi uma construção baseada em estudo, dedicação e confiança dos pacientes. Ver a transformação na vida das pessoas. Muitas chegam sem saber que existe tratamento. Quando recuperam a confiança e a qualidade de vida, isso traz uma satisfação enorme.

Qual mensagem você deixa?

Ter vergonha ou receio é normal, mas buscar ajuda é fundamental. Muitas vezes o primeiro passo é o mais difícil, porém ele pode fazer toda a diferença na qualidade de vida e no bem-estar. Aproveito o espaço para agradecer aos meus pais, Edson e Sandra Rabelo, à minha irmã Priscila, aos meus pacientes pela confiança e à população de Mirandópolis, que acolheu meu trabalho ao longo desses anos.

Jaqueline ao lado dos pais, Edson (in memoriam) e Sandra, e da irmã, Priscila. Foto: Acervo Pessoal
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