Professor e aluno no pódio: a trajetória de dois peões que representam Mirandópolis nas arenas

Professor e aluno no pódio: a trajetória de dois peões que representam Mirandópolis nas arenas

Foto: Divulgação/Montagem via ChatGPT

A final da 31ª Festa do Peão de Mirandópolis reservou um momento especial para o rodeio local. Entre os competidores que disputaram o título estavam dois representantes da cidade: Paulo Sérgio Macedo, o Paulinho DaVal, vice-campeão da competição, e Danilo Leopoldo, que terminou na quinta colocação.

Mais do que dividirem a arena, eles compartilham uma história construída ao longo de mais de uma década. Paulinho foi quem apresentou Danilo ao universo das montarias. Hoje, mestre e aprendiz continuam competindo lado a lado e sonhando em conquistar, juntos, o título mais desejado pelos peões mirandopolenses.

Natural de Nova Olímpia (MT), Danilo Leopoldo dos Santos chegou a Mirandópolis aos quatro anos de idade. Cresceu na cidade, estudou na Escola Estadual Dr. Edgar Raimundo da Costa e, desde os nove anos, já trabalhava na lida com o gado.

Curiosamente, quem hoje enfrenta touros de quase uma tonelada tinha medo de montar. “Eu chorava quando me colocavam para montar em bezerros. Gostava de trabalhar com o gado, mas montar era outra história”, relembra.

Sem a presença do pai durante a infância, encontrou em pessoas como Fabrício, Mano, Peba e Paulo Sérgio referências importantes para sua formação. Foi justamente Paulinho quem mudaria sua história no rodeio.

DESAFIO QUE MUDOU TUDO

Em 2012, Danilo foi até a Fazenda Santa Cecília apenas para acompanhar um treino de montaria, mas não imaginava que voltaria para casa como peão. “Quando cheguei, o Paulinho falou que eu ia montar. Tomei um susto. O primeiro boi chamava Brinquedo. Depois daquele dia nunca mais parei.”

Danilo Leopoldo descobriu a paixão pelas montarias em um treino na Fazenda Santa Cecília e hoje é um dos representantes de Mirandópolis nas arenas. Foto: Divulgação

No ano seguinte disputou seu primeiro circuito e conseguiu permanecer quatro segundos sobre o animal. “Para mim aquilo já foi uma vitória.” A partir dali vieram rodeios em Brejo Alegre, Clementina e diversas cidades da região.

PAUSA NA CARREIRA

Quando a carreira começava a ganhar ritmo, uma lesão e a pandemia interromperam tudo. Danilo ficou afastado das arenas durante dois anos. Mudou de profissão, trabalhou em Mirandópolis, depois foi para Curitiba atuar como executivo de vendas e acreditava que não voltaria mais aos rodeios.

“Conversei muito com Deus para que Ele me desse discernimento. Dizia que só voltaria quando Ele tocasse no meu coração.” Segundo ele, esse momento aconteceu através de um sonho. “Vi minha espora e depois a roseta. Naquele instante lembrei que eu era peão de boi.”

VOLTOU A COMPETIR

No primeiro rodeio já conquistou um pódio. Vieram vice-campeonatos, finais e grandes resultados. Hoje, casado com Maria Heloisa e pai do pequeno Henry Gabriel, continua dividindo a rotina entre o trabalho, os treinos e as competições. Mesmo experiente, admite que a adrenalina é constante. “Não tenho medo, mas o respeito se mantém. Quando você entra na arena é pura adrenalina. O importante é nunca perder o respeito pelo animal.”

Seu maior sonho ainda está por ser realizado. “Os rodeios da nossa região, principalmente o de Mirandópolis, são os que eu mais sonho em ganhar. Uma hora vai chegar.”

A REFERÊNCIA

Se Danilo aprendeu com Paulinho, a história do vice-campeão começou muitos anos antes. Nascido em Mirandópolis, em 1995, Paulo Sérgio Macedo de Moraes ficou conhecido como Paulinho DaVal, apelido herdado da mãe, Valdelice.

Ainda menino começou a trabalhar na chácara do Mano Franco. Foi ali que surgiu o contato diário com os animais e também a amizade com Fabrício. Assim como Danilo, começou montando por brincadeira. “No começo eu tinha muito medo. Mas fui pegando gosto depois que entrei em um racha e consegui chegar à final.”

Seu primeiro rodeio profissional aconteceu justamente em Mirandópolis, aos 16 anos. Também chegou à final. Depois de participar de competições regionais, Paulinho recebeu uma oportunidade que mudou sua carreira. Em Valparaíso, disputou o qualify para entrar no rodeio profissional. Classificou-se, liderou a competição durante dois dias e terminou campeão. “Foi uma conquista que guardo com muito carinho. Depois dali consegui entrar na Top Team.”

Vice-campeão da Festa do Peão de Mirandópolis, Paulinho DaVal afirma que ainda pretende disputar muitas finais na arena da cidade. Foto: Divulgação

Desde então tornou-se presença constante nas principais competições da região. Em Mirandópolis, afirma ter participado de praticamente todas as finais desde que começou a montar. Na Festa do Peão de 2026, Paulinho quase não competiu, pois está com uma lesão no ombro que o acompanhava há meses. “Na adrenalina a gente praticamente não sente a dor. Ficar em segundo lugar dentro de casa tem um gosto diferente.”

Funcionário da Du Motos há quase onze anos, consegue conciliar o trabalho com as montarias. Pai de Samuel e Manuela, garante que ainda não pensa em parar. “Se fosse desistir, já teria parado por causa de outras lesões. Quero tratar o ombro e continuar competindo.”

AGRADECIMENTOS

Ao final da entrevista, os dois fizeram questão de agradecer às pessoas que sempre acreditaram em suas trajetórias. Danilo destacou o apoio do Fabrício, Mano Franco, Peba, além de apoiadores como o Grampola Pantaleão, Bakinha e Clodão, da Nova Três Lagoas. Já Paulinho agradeceu ao patrocinador Carlinhos da Borracharia, ao Clodão, e a todos que estiveram ao seu lado durante sua caminhada nas arenas.

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