Dia do Psicólogo: duas trajetórias mostram diferentes caminhos da profissão em Mirandópolis
Foto: Montagem via ChatGPT
O Dia Nacional do Psicólogo é celebrado em 27 de agosto, data que marca a regulamentação da profissão no Brasil pela Lei nº 4.119, de 1962. Mais de seis décadas depois, a Psicologia faz parte da rotina de profissionais que escolheram caminhos diferentes para chegar à mesma área.
Em Mirandópolis, Cristina Yassue Nagasawa e Mariele Tortoza representam duas dessas trajetórias. Cristina, com 35 anos de profissão, encontrou na curiosidade sobre os sentimentos uma das primeiras razões para escolher a Psicologia. Mariele construiu seu caminho aos poucos, entre a faculdade, diferentes trabalhos e experiências que ajudaram a definir sua atuação.
Neta de imigrantes japoneses e terceira geração da família no Brasil, Cristina conta que sempre foi questionadora. Desde pequena, queria entender melhor os sentimentos e aquilo que não podia ser visto. “Desde pequena olhava para esse universo e queria entender e sentir as coisas. Era questionadora”, conta.
Formada em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1992, Cristina iniciou sua análise pessoal ainda no primeiro ano da faculdade. Ao longo dos 35 anos de profissão, continuou estudando e buscou conhecimentos em áreas como filosofia, arte, cultura e espiritualidade oriental.

“Para ser um psicólogo mais inteiro, nunca chegamos à completude. É uma jornada infinita de aprendizado”, afirma.
Já Mariele encontrou seu caminho de outra forma. Durante a graduação, trabalhou em uma loja de roupas, morou em São Paulo e conciliou os estudos com diferentes empregos. No estágio em uma penitenciária, acompanhou de perto o trabalho de Cristina, que se tornou uma referência em sua trajetória.
Depois, trabalhou com venda de planos de saúde até conseguir construir seu espaço na Psicologia.
VOLTA PARA CASA
Depois de cinco anos trabalhando em Londrina, Cristina voltou para Mirandópolis em 1998, também para estar perto dos pais durante um período em que precisaram de cuidados.
Para apresentar seu trabalho à cidade, procurou o jornal local e passou a escrever uma coluna semanal sobre saúde mental. “Eu precisava de um meio para dizer a Mirandópolis que eu existia aqui como profissional da área”, lembra.
Depois, trabalhou por cinco anos na penitenciária, além de atuar no Detran e dar aulas por um período. Hoje, dedica-se à Psicologia Clínica em um consultório instalado na casa onde cresceu.
ENCONTRANDO O CAMINHO
Mariele começou atendendo adultos e crianças, mas encontrou no público infantojuvenil e na avaliação uma área com a qual mais se identificou. A pós-graduação em Neuropsicologia foi importante nessa descoberta.

Hoje, divide a atuação entre o CER II, em Mirandópolis, e seu consultório. Para ela, acompanhar as mudanças na vida dos pacientes é uma das partes que mais gosta na profissão. “Eu gosto muito de poder acompanhar processos e perceber mudanças que, muitas vezes, podem parecer pequenas, mas têm um significado enorme para aquela pessoa ou para aquela família.”
A ESCUTA
Entre as experiências mais marcantes da carreira de Cristina está o acompanhamento de pacientes em cuidados paliativos, alguns em estado terminal. A vivência trouxe um olhar diferente sobre a vida e reforçou a importância de oferecer espaço para que assuntos difíceis também possam ser tratados.
Na visão da psicóloga, o profissional não deve dar respostas prontas, mas acompanhar cada pessoa na construção do próprio caminho.
Para Mariele, a profissão também mudou sua forma de enxergar as pessoas. Hoje, procura compreender o que existe por trás de cada comportamento e considera a história e o contexto de cada indivíduo.
As duas também defendem que procurar ajuda psicológica não deve ser visto como sinal de fraqueza. O atendimento pode contribuir para o autoconhecimento, os relacionamentos e diferentes momentos da vida, sem que seja necessário esperar chegar ao limite.
Mais de seis décadas após a regulamentação da profissão, Cristina e Mariele seguem construindo suas histórias na Psicologia. Uma com 35 anos de experiência; outra, ainda encontrando novos caminhos dentro da área, trajetórias diferentes, mas unidas pela mesma escolha: trabalhar com pessoas e suas histórias.

