Primeiro mundo: A vida dos mirandopolenses no Japão

Primeiro mundo: A vida dos mirandopolenses no Japão

A relação migratória entre Brasil e Japão tem sua origem no início do século XX, fato desencadeado a partir de um acordo firmado entre os dois países. Hoje no Japão vivem mais de 300 mil brasileiros descendentes de japoneses que muitas vezes acompanhados dos cônjuges migram para o país com intuito de trabalhar nas indústrias em grande parte dos casos.

Uma curiosidade é que os brasileiros estão em terceiro lugar entre as etnias que compõe a população japonesa, superados somente por coreanos e chineses. Muitos desses brasileiros foram para o Japão no fim dos anos 80 e início dos anos 90, foi nesse período que o termo “Dekassegui” começou a ser mais muito utilizado aqui no Brasil para denominar os brasileiros que passaram a imigrar para o Japão à procura de melhores oportunidades de trabalho, promovendo uma inversão do fluxo migratório entre os países.

Essa rota foi traçada pelo mirandopolense William Minoru Fujino, de 35 anos, que foi para o Japão em outubro de 2003 e desde então voltou apenas três vezes para visitar a família e amigos.

“A princípio, como muitos dekasseguis, vim com o intuito de trabalhar em fabrica. Fiquei atuando nesse segmento por cerca de dois anos, até que surgiu uma oportunidade de trabalhar em uma loja de produtos de origem brasileira, isso por volta de 2008, pois era um mercado em ascensão no país. Fiquei muitos anos, até que há cerca de dois anos surgiu a oportunidade de trabalhar em uma loja de carro de um amigo onde fazemos de tudo. Compra, venda, mecânica, funilaria, documentação e muitas outras coisas”, explica Fujino.

Atualmente, William mora em Kosai, uma cidade com cerca de 45 mil habitantes que fica na província de Shizuoka, na costa central do Pacífico. Seu trabalho está localizado em Toyohashi, que fica cerca de 30 minutos de sua casa.

“O Japão é um país de primeiro mundo que tenho muito respeito. Por ser um local extremamente capitalista a vida é muito corrida e não é um país caloroso como o Brasil, mas amo e tenho muita gratidão pelos japoneses”, ressalta Fujino, que no Japão teve uma filha, que já tem 13 anos e hoje mora com a mãe no Brasil.

Sobre Mirandópolis, William ressalta que são várias as lembranças que marcaram sua infância e juventude na cidade. “Só tenho boas recordações dos momentos que passei com a minha família em Mirandópolis. Além disso, não tem como esquecer dos bailes no CAM, das festas no Arapongas, dos Leilões de Gado e das Festas de Peão. E claro, muita saudade da minha mãe e irmã”, completa.

Outro mirandopolense que está no Japão desde fevereiro de 2005 é Flavio Toshio Takaki, de 37 anos. Trabalhando em uma fábrica de injetora plástica de peças para carro, Toshi, como é conhecido em Mirandópolis, ressalta que viver em um país de primeiro mundo fez com que ainda não voltasse para o Brasil.

“Tenho planos de voltar, sem dúvidas, mas o que ainda me impede é a qualidade de vida que tenho por aqui que me permite maior tranquilidade. O principal ponto que destaco é na questão da segurança, pois acostumamos viver com essa tranquilidade que sabemos que aí (Brasil) não teremos, infelizmente”, define Toshi, que mora em Toyoake, cidade japonesa localizada na província de Aichi que tem uma população estimada em mais de 70 mil habitantes.

Já Gabriela Mari Takaki Ikegame, que chegou no Japão em dezembro de 2004, mora em Yokohama, cidade localizada na província de Kanagawa, dentro da região metropolitana de Tóquio, onde também se localiza a capital do país. A cidade com população superior aos 3,5 milhões de habitantes possui alta concentração comercial.

“Hoje trabalho em uma fábrica de alimentos onde fazemos os famosos bento, que é tipo de uma marmita aí no Brasil, que se vende nas conveniências e mercados. Sou muito feliz morando aqui no Japão e não tenho planos de voltar, pois aqui encontro pontos importantes para criar meus dois filhos como segurança e estudo de primeiro mundo”, confirma Gabriela.

Questionada sobre as lembranças de Mirandópolis, a mirandopolense recorda com muita saudade da família e amigos, assim como da dança que é sua grande paixão e que praticou por muitos anos na cidade.

Curiosidade
De acordo com a história da irmandade entre Takaoka e Mirandópolis, tudo começou em 1974, quando um grupo de cidadãos mirandopolenses foi convidado pelo presidente da empresa Hokuriku Aluminium Co., Sr. Saburo Arai para visitar as instalações da industria no Japão. A parceria resultou na implantação da empresa Alumínios Nitinam que prestou serviços por longos anos no trevo de acesso à rodovia Marechal Rondon (SP-300) e mantém até hoje a Escola de Língua japonesa Takaoka oferecendo aprendizado às crianças, jovens e adultos. Para isso, Takaoka tem enviado, com regularidade, um professor da língua japonesa.  


                       
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