Construção e pintura, as paixões de Gennaro Ordine

Construção e pintura, as paixões de Gennaro Ordine

Nas mãos o dom de trabalhar com construção e também pintando quadros nas horas vagas. Essas foram as atribuições por muitos anos de Gennaro Ordine, que nasceu em 1928 em Taquaritinga, cresceu em uma casa com outros três irmãos e chegou em Mirandópolis em 1967 depois que recebeu uma carta do cunhado falando que deveria vir para o município porque era uma cidade que precisava de profissionais para trabalhar construindo casas e prédios. Seu Gennaro, como é conhecido na cidade, casou em 1950 e teve quatro filhos. Confira abaixo a entrevista completa sobre sua trajetória de vida.

Como foi sua infância?
Não cheguei a estudar porque naquele tempo era praticamente nascer e trabalhar. Na realidade desde muito pequeno eu já ajudava meu pai. Lembro que ia pra escola e na volta já parava para ajudá-lo. Era carregar tijolo, massa e tudo que uma criança conseguia fazer. Daí com 11 anos já fazia muita coisa na parte da construção, ele fazia a parte pesada e eu ficava no acabamento. Fiquei trabalhando com meu pai até 1950 quando casei , depois parei e fiquei três anos sem trabalhar com construção, fui transportar laranja para uma empresa. Mas logo retornei e vi que era isso que sabia fazer de melhor.

Como surgiu Mirandópolis na sua vida?
Estava em Taquaritinga e fui construir uma casa para minha irmã em São Paulo. Fiz a casa dela e com isso surgiram diversos outros projetos para trabalhar por lá. Quando voltei para Taquaritinga para falar com minha esposa tinha uma carta do meu cunhado falando: venha para Mirandópolis porque aqui está faltando pedreiro e tem muita construção. Eu li a carta e pensei, em vez de ir para São Paulo vou para Mirandópolis, isso foi em 1967.

E a sua chegada aqui?
Quando cheguei já fiz várias amizades logo de cara. Lembro que encontrei o Jaime Fiorentino e ele estava construindo na época uma casa, mas disse que não precisava de ninguém para ajudar. Mas aconselhou eu ir na construção do Olindo Marchi para ver se precisava de ajudante porque o proprietário do prédio estava com pressa na construção. Fui até lá e o Olindo disse que realmente precisava de alguém para ajudar porque precisava entregar a obra rápido. Deu tudo certo nessa obra, com isso ganhei confiança. O engraçado é que o Olindo foi trabalhar na prefeitura e ficou apenas três meses, depois foi pra São Paulo onde ficou outros três meses e acabou voltando para Mirandópolis. Depois desses seis meses ele voltou para cá e veio me pedir emprego, olha que coisa, nesse momento falei que ele seria meu sócio, afinal, ele me ajudou. Trabalhamos mais de cinco anos juntos, foram bons tempos.

O que lembra de Mirandópolis nessa época?
Quando cheguei em Mirandópolis o prefeito era o Savero Tramonte e lembro que nessa época era tudo terra. Fiz mais de 160 casas, acho que foi 162 no total. Foram muitas na cidade e algumas na área rural. Construí a fábrica de alumínio, fonte luminosa da praça central, prédio da escola 14 de Agosto e muitos outros prédios e casas.

Quando parou de trabalhar?
Parei em 2010, com 83 anos, mas fui infeliz porque quando aposentei era autônomo e pagava o INSS. Aposentei com três salários mínimos e recebia normalmente, foi bem alguns anos, mas ano a ano foi caindo e hoje recebo um pouco mais de um salário, é complicado.

E o dom de pintar?
Sempre fui muito curioso e lembro que a professora pedia para desenhar e eu não gostava porque era preto e branco. Daí eu conheci um senhor que pintava placa em Taguaritinga, com isso pedia o resto de tinta para ir brincando. Com o tempo muita gente gostou dos quadros e desde lá nunca mais parei. Já consegui vendi quadro pra todos os cantos do Brasil. Tenho em Araraquara, Jaboticabal, Ribeirão Preto, Rondonópolis e muitas outras cidades. Ainda passo o tempo pintando, é uma paixão que vou levar até o final da vida. A pintura e a construção são duas paixões, infelizmente não consigo mais trabalhar com construção, então fico apenas na pintura.

Mirandópolis te acolheu?
Fui muito bem recebido em Mirandópolis e só tenho agradecimento aos mirandopolenses. Até hoje agradeço muito ter recebido aquela carta do meu cunhado falando para vir para cá, fiz muito bem de ter apostado minhas fichas e vir. Posso dizer que fiz grandes amizades, consegui construir uma casa para cada filho e hoje vivo de certa forma tranquila com a minha esposa, com quem sou casado há quase 70 anos.


                       
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