Um mirandopolense salvando vidas pelo Brasil

Um mirandopolense salvando vidas pelo Brasil

Ao invés do trauma de internações sucessivas, surgiu um encantamento, paixão pelo hospital e em especial pelo centro cirúrgico. Essa é a explicação de Oswaldo Gomes Junior, filho de Célia Maria Silvério Gomes e Oswaldo Gomes, ao ser questionado de onde surgiu o interesse pela medicina. Formado pela Universidade Federal da Grande Dourados, hoje trabalha em alguns dos principais hospitais do Brasil: Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sirio Libanês, Hospital do Coração – HCor, entre outros.

Após formado, sua especialização foi em transplante pulmonar, mas isso só foi possível após cinco anos de residência médica, sendo dois anos de cirurgia geral, dois anos de cirurgia torácica e um ano adicional em transplante pulmonar. “Meus professores sempre brincavam que é o transplante que te escolhe, quando percebe já está submerso nesse meio, e torna-se cada vez mais difícil sair, é viciante. Não existe rotina, nunca se sabe quando será o próximo chamado”, exalta Junior.

Oswaldo explica que infelizmente a captação não ocorre em qualquer hospital do país, sendo necessário um credenciamento dessa instituição que deve conter uma estrutura adequada para manutenção desses doadores (órgãos) e aparato para realização deste tipo de cirurgia.

“A região de Mirandópolis é coordenada por São José do Rio Preto, que é uma das mais ativas do país, obtendo recordes sucessivos na busca ativa e oferta de doadores. Nosso desejo é que Mirandópolis também faça parte dessa corrente do bem, algo que creio estar próximo de acontecer, pois algumas pessoas já estão sendo capacitadas, e com a atual estrutura hospitalar do município, vejo com boas perspectivas estarmos captando em nossa cidade”, revela Oswaldo Gomes.

O médico explica que transplante pulmonar é um procedimento extremamente complexo que demanda estrutura logística, hospitalar e humana, sendo essa última de caráter multiprofissional com cirurgiões, pneumologistas, intensivistas, infectologistas, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, assistentes sociais, psicólogos, entre outros.

“Quando se vê um pulmão transplantado ventilando (respirando) depois de uma cirurgia bem sucedida, emociona e satisfaz todos da equipe. Mas a grande satisfação vem após alguns dias, ao ver uma pessoa que estava restrita ao leito, dependente de oxigênio, voltar a suas atividades cotidianas e ter uma chance de viver uma vida que por outrora acreditava não ser mais possível, é a incrível chance do recomeçar”, emociona Junior.

O profissional ressalta que durante o último ano a equipe, que responde pelo serviço de transplante pulmonar do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da USP e do Hospital Israelita Albert Einstein, realizou cerca de 50 transplantes, sendo a grande maioria bilateral (quando se transplanta dois novos pulmões no mesmo indivíduo).

“Não sei exatamente, mas certamente participei de aproximadamente metade dessas captações que referi. Até porque nos outros estava junto ao receptor. Muito me orgulharia vir fazer meu trabalho em Mirandópolis, quem sabe em um futuro não tão distante poder voltar em definitivo para o interior e exercer minha profissão próximo aos meus familiares e amigos. Fica o recado, doe órgãos, salve vidas e espalhe amor”, finaliza Junior


                       
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