Parto humanizado: ambiente favorece a privacidade e a tranquilidade na hora do parto; entenda como funciona em Mirandópolis

Parto humanizado: ambiente favorece a privacidade e a tranquilidade na hora do parto; entenda como funciona em Mirandópolis

Quem já é mãe sabe que a hora da chegada do bebê é sempre especial e muitas mulheres que se preparam para esse momento têm diversas dúvidas e angústias, principalmente relacionadas ao parto, tais como medo da dor e, também, de situações abusivas.

Segundo Ádyla Keila Lopes Silva Oliveira, obstetra, diretora técnica da MCO-UFBA (Maternidade Climério de Oliveira, da Universidade Federal da Bahia), ligada à rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), o crescente aumento de cesarianas no Brasil e em todo o mundo torna necessária a criação de medidas que estimulem as futuras mães a voltarem a desejar o método normal, via canal vaginal, e, assim, o número de unidades especializadas em assistência humanizada tem crescido bastante.

Especialistas explicam que o parto humanizado não está relacionado a um tipo específico, mas, sim, a uma série de práticas acolhedoras e respeitosas que considera os desejos da mãe e o funcionamento do seu corpo fundamentado em evidências científicas.

Henrique, Marcela, Nilson e Vilma

EM MIRANDÓPOLIS

Nilson Silveira Lisboa, enfermeiro obstetra do Hospital Estadual de Mirandópolis, comenta que depois de muito esforço, que contou com total apoio da direção do hospital, conseguiram estruturar melhor o que já vinha sendo feito. “Antes a mãe ficava em uma sala pré parto para depois ser deslocada até o centro obstétrico, onde era atendida por uma outra equipe de enfermagem, com pessoas diferentes do pré parto, o que já causava um desconforto na paciente”, explica.

O enfermeiro lembra que tudo mudou quando o Governo de São Paulo, por meio de um projeto do Ministério da Saúde, mandou no ano passado para o Hospital de Mirandópolis recursos para aquisição de diversos equipamentos para montar um quarto que eles chamam de humanizado.

“A cama se transforma em uma maca ginecológica na hora do parto, deixando a paciente na melhor posição na hora de ter seu filho. Depois do nascimento, a mãe não precisa ser transferida de cama, pois ela se transforma conforme a necessidade do paciente. O quarto já está todo preparado para o recém-nascido ficar com a mãe, que fica tranquila já que o espaço conta com berço aquecido e muito mais”, relata Nilson.

Segundo Henrique Taddei, médico ginecologista obstetra do Hospital de Mirandópolis, é muito importante retirar da mãe a tensão que, muitas vezes, acompanha o ambiente hospitalar, de forma a não ativar a secreção de hormônios, como a adrenalina principalmente, no início do processo de parto. “A criação de estímulos físicos e psicológicos gera tranquilidade, que favorece a liberação de ocitocina, hormônio importante para o parto e a amamentação”, revela Taddei.

Marcela Orsi, que também é ginecologista obstetra, conta que infelizmente existe uma barreira para a mãe querer fazer o parto normal, pois na região não tem essa cultura. “O parto normal tem muitos benefícios, por isso queremos mostrar toda estrutura e benefícios para deixar essa opção mais esclarecida para a paciente. Entre as condições ideais estão a privacidade, luminosidade reduzida, além de uma equipe capacitada. Os cuidados com a ambientação e bem-estar descaracterizam a atmosfera fria hospitalar, sem abrir mão das condições técnicas que oferecem a segurança necessária”, confidencia.

Quarto com estrutura moderna para favorecer o parto humanizado

Baseado em evidências científicas, o parto humanizado proporciona, principalmente, o afeto à mãe e à criança e diminui as chances de depressão pós-parto. Confira quais são as principais vantagens:

Para a mãe:

– Ter autonomia para escolher como passar pelo trabalho de parto e posição de parto;

– Aumento do vínculo mãe-bebê, com o contato pele a pele e amamentação imediatos.

Para o bebê:

– Início precoce da amamentação, uma vez que o leite materno desce mais rápido após o parto humanizado;

– Ao entrar em contato com a ocitocina (hormônio do prazer) liberada pela mãe, o bebê nasce mais calmo.