‘Sempre trabalhei muito para dar o melhor para minha família’, explica Antônio Caldeira

‘Sempre trabalhei muito para dar o melhor para minha família’, explica Antônio Caldeira

Conversamos com Antônio Luis Caldeira, que nasceu em Mirandópolis no dia 14 de julho de 1964. Trabalhou na padaria do Bipa (atualmente é a Nossa Senhora Aparecida), na Sorveteria Popular, no Bar Marabá e na Pernambucanas, mas ficou conhecido mesmo por ser proprietário da ‘Padaria do Antonio’, onde apostou todas as suas fichas no comércio em 2000. Confira abaixo a entrevista completa.

Como foi sua infância e juventude?

Meu pai era da roça, trabalhava com café e morava no Machado (Amandaba). Eu vim para a Mirandópolis com sete anos e sempre estudei no Noêmia. Lembro que fui reprovado na escola com uns 12 anos, mas porque nessa época comecei a trabalhar no Bar Marabá, era das sete da manhã às seis da tarde, fora sábado e domingo até a hora que fechava. Mas de certa forma foi bom, me mostrou muita coisa sobre responsabilidades. Mas depois concluí o segundo grau e passei no vestibular na sequência, coisa que os melhores alunos da minha classe não conseguiram.

Graduou em qual curso?

Passei no vestibular para História, nessa época trabalhava na Pernambucanas. Antes de iniciar a faculdade trabalhei na padaria Nossa Senhora Aparecida e com o Moura na Sorveteria Popular. Trabalhei também como sorveteiro com carrinho na rua e também vendendo salgados. O melhor emprego que tive foi como pacoteiro na Pernambucanas, entrei com 16 anos e fiquei até os 18 anos quando fui promovido, mas daí transferi para Três Lagoas, porque na época ainda não tinha ônibus, a gente tinha que se virar. Fui fazer faculdade e trabalhar lá.

Depois voltou para Mirandópolis?

Logo que terminei voltei para Mirandópolis e comecei a trabalhar com o Chutudo, na veterinária. Iniciei fazendo cobranças, peguei todas as cobranças atrasadas e fui atrás, até que o rapaz que trabalhava com ele casou e saiu, daí fui promovido (risos). Aprendi bastante coisa, mas no ano seguinte já consegui pegar quatro aulas em Lavínia e fui iniciando minha trajetória nas escolas. Me formei no meio do ano de 1986 e comecei a dar aula em 1987, Nessa época eu dormia na escola, porque não tinha como viajar direto, foi até a época que fizeram o asfalto, então eu vinha com o ônibus de estudante da prefeitura, dava aula em Lavínia na quarta e na sexta-feira, fiz isso por uns dois anos. Depois fui pro Ebe Aurora e Edgar, depois apareceu aula no Noêmia e fiquei lá por muitos anos.

Como surgiu a oportunidade da padaria?

Comprei aqui no ano de 2000, mas a venda de pão começou antes, foi em 1994, nessa época fiz pedagogia em Pereira Barreto, daí já levava pão e vendia, até que em 2000 eu fiz um negócio, troquei a padaria pela minha casa, um carro Peugeot, um terreno e mais 10 mil em dinheiro. Continuei dando aula por mais dois anos, eu era efetivo e depois exonerei. O comércio naquela época era melhor do que é hoje, fiz isso porque a minha perspectiva era que melhorasse e peguei uma padaria porque eu queria dar um estudo bom para os meus filhos. Como funcionário público isso seria meio difícil, apesar que hoje as coisas mudaram tanto, que se eu tivesse continuado a dar aula hoje eu já estaria aposentado. Agora para aposentar é mais difícil e com o salário menor. Eu já tive oito funcionários, mas a coisa mudou tanto que hoje não precisa mais. Além disso, o meu horário é muito puxado, eu levanto às 3 horas da madrugada e vou parar só às 19 horas. O que também prejudicou muito foi a queda do poder aquisitivo, eu construí uma padaria vendendo pão caseiro a um real. O salário era R$ 100 e hoje é mais de R$ 1.000. O pão está R$ 7,00 e não vende 10% do que vendia naquela época, já cheguei a vender 250 pães caseiros em dia de sábado.

Quais lembranças da juventude?

Antigamente a cidade era muito mais pobre em recursos, mas muito mais rica em ser-humano. Até carnaval pulávamos e não tinham drogas, era um lança perfume e bebida, mas era um carnaval saudável, hoje nem isso tem mais. A vida da gente de forma geral era mais saudável, lembro que o Noêmia chegou a ter 3 mil alunos, hoje não tem 700 alunos. Dava aula no período noturno para cinco colegiais, mas era muito bom, apesar de eu ser novo o pessoal me respeitava, fazia as atividades e levava a sério, um pessoal que hoje é advogado, dentista, investigador policial e gente que hoje já está até aposentando.  Aqui era muito bom, gostava muito da discoteca e de jogar bola, os campeonatos que tinham, os interescolares e interclasses, hoje já não existem mais. Outra coisa que muita gente nem lembra, o time da terceira divisão do Mecão, era muito bom. Assistia jogos direto e depois nunca mais fui em um campo de futebol. A cidade tinha muita gente boa que já foi embora, hoje tem muita gente que não sabemos nem da onde veio.


                       
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