Em apoio a campanha Setembro Amarelo, Mirandópolis promove ações de prevenção ao suicídio ao longo do mês

Em apoio a campanha Setembro Amarelo, Mirandópolis promove ações de prevenção ao suicídio ao longo do mês

O dia 10 de setembro é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Com isso, desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza o Setembro Amarelo. Campanha que visa, além da prevenção ao suicídio, a promoção da vida e da auto-estima através da prospecção de ações e canais de ajuda.

Em Mirandópolis, a fim de manter a campanha ativa, o Centro de Referência e Assistência Social (CRAS), com o apoio do Departamento de Promoção Social e demais unidades da assistência, passou a adesivar veículos pelas ruas do comércio da cidade, no último dia 12 e, no decorrer do mês, ocorrerão palestras e orientações à população atendida.

Segundo o que foi divulgado pela página oficial do município no Facebook, no dia 22 haverá palestra no Projeto Batucando, às 18 horas; no dia 23 palestra para Grupo PAIF no Salão da Melhor Idade, às 9 horas; e no dia 29 palestra na E.E. Prof. Marilena Santana Correa Fernandes, às 8h30.

O QUE DIZ A ESPECIALISTA

Conversamos com a psicóloga Fernanda Fioravante, especialista em terapia cognitivo-comportamental e neuropsicologia, para tirar algumas dúvidas em relação a prevenção ao suicídio, a promoção da vida e da auto-estima, confira.

AGORA: De acordo com a OMS (2019) no Brasil os registros se aproximam de 14 mil casos por ano. Quais fatores contribuem para esse crescimento?

Fernanda: É preciso compreender que o suicídio não tem uma causa única, mas sim multifatorial. Entre elas, a prevalência ocorre na presença de um ou mais Transtorno Mental, não diagnosticado ou tratado de forma incorreta.

O preconceito ainda existe e a campanha do mês setembro amarelo é a maior em antiestigma. Quando é o momento para se falar em prevenção do suicídio?

Prevenir é mais difícil do que tratar, em nossa cultura de saúde. Vou citar um exemplo, um pré-adolescente triste, apático, sem vontade de sair de casa, muitas vezes vemos algo pertencente a fase e que logo passa, quando não, referimos ser frescura e que não existe motivos para estar triste. Mas não pensamos isso de um adulto. Atribuímos de forma errônea as emoções. As emoções surgem desde muito cedo e falar sobre deve começar a partir da infância com a psicoeducação. Claro que não vamos falar sobre suicídio com uma criança de seis anos, mas compreender as emoções contribuirá para o repertório emocional e como lidar com isso ao longo de sua vida. Com adolescente é necessário falar sobre temas relacionados a automutilação, bullying, orientação sexual, comportamentos impulsivos, uso de substâncias e abuso de álcool.

Como podemos identificar que uma pessoa possa vir a cometer o ato?

A mudança de comportamento, o humor e o impacto no funcionamento e na vida do indivíduo. Esquivar ou fugir de situações que exigem esforço e comunicação por exemplo. Passa a ficar menos ativo e mais apático. A manifestação vem de um quadro de pensamentos de tristeza profunda e desesperança.

Existem fases anterior ao desfecho final? É possível intervir em alguma? Se sim, como?

Sim, existem fases. A primeira é o pensamento de desesperança, depois passa a ser mais intenso e mais frequente na fase de ideação suicida. Ocorrem tentativas sem intenção de chegar no fim do ato e depois o ato em si. Antes do suicídio existem muitas tentativas, justamente nesses momentos que podemos e devemos intervir. Oferecer apoio, conduzindo imediatamente ao tratamento psicológico e psiquiátrico. Rede de apoio é fundamental, pois trata-se de um problema de saúde pública, assim como o fortalecimento de vínculos também é uma medida de prevenção.

Onde procurar ajuda?

O SUS oferece atendimento gratuito na Rede de Apoio Psicossocial, composta de Unidade Básica de Saúde, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e SAMU em casos de emergência. No site www.setembroamarelo.com tem indicação de locais para atendimento gratuito com psiquiatra. E o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende de forma voluntária e gratuita todas as pessoas que querem e precisam conversar.


                       
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