Ser honesto e correto são os maiores ensinamentos dos meus pais, diz Belo, vendedor de espetinhos da Rafael Pereira

Ser honesto e correto são os maiores ensinamentos dos meus pais, diz Belo, vendedor de espetinhos da Rafael Pereira

Aos 63 anos de idade, Izael Mendes de Souza, conhecido como Belo, diz que as maiores heranças deixadas pelos seus pais foram a honestidade e a retidão. São esses ensinamentos transmitidos a ele e aos outros 16 irmãos. É desta forma que o autônomo, que é vendedor de espetinhos na rua Rafael Pereira, pauta sua vida. Pai de três mulheres e avó de três netas, Belo enxerga o seu passado como vitorioso e muito bem aproveitado, em especial os sete anos vividos na Espanha e os mais de nove meses morando em Portugal. Nascido na cidade de Taciba, na região de Presidente Prudente, ele passou a morar em Mirandópolis em 2016, para ficar mais perto da família. O empresário recebeu a reportagem do jornal em sua casa, no bairro Santa Rosa, e deu detalhes sobre sua trajetória de vida.

Onde o Sr. nasceu?

Eu nasci em Taciba, próximo a Presidente Prudente e praticamente vivi ali até os meus 50 anos de idade. Depois eu saí em busca de algo. Lá eu trabalhei na Prefeitura por quase 13 anos e depois saí após solicitar demissão voluntária. Logo após eu fui para a Europa. Fui para Portugal e Espanha. Fui porque eu já tinha alguns amigos lá. Fiquei quase um ano em Portugal e sete anos na Espanha.

Trabalhava em qual ramo?

Em Portugal entregava publicidade. Ganhava pouco, mas dava para sobreviver. Na Espanha vivia bem, aí já consegui me regularizar. Consegui um trabalho melhor. Ganhava um bom salário e fiquei sete anos por lá.

Belo com familiares, amigos e clientes na frente do espetinho

E o que trouxe a Mirandópolis?

Depois da Espanha eu fui para Porto Velho (RO). Fiquei um ano e meio trabalhando em uma barragem, como supervisor da segurança empresarial. Logo após, um amigo meu foi para o Pará, em Altamira, e me chamou para trabalhar como encarregado da segurança patrimonial. Fiquei três anos na barragem de Belo Monte. Vim embora para Mirandópolis porque eles queriam mão de obra local. Me manter por lá era um custo alto para a empresa. Vim para cá e já parti para outro ramo, que foi a horta aqui do Sr. Nilton Orsi, do supermercado. Vim para cá em 2016. Já conhecia a cidade porque assim que eu fui para Europa a minha família mudou para cá. Acabei voltando para Mirandópolis porque minhas filhas moram aqui. Tenho duas filhas que moram aqui. Foram quase quatro anos trabalhando na horta.  

E a relação com os espetinhos?

Comprei esse trailer e resolvi trabalhar por conta. Hoje eu estou razoavelmente bem. Quero ter paz. E é o que eu tenho: paz e trabalho tranquilo. É um trabalho sossegado. Começo às 15h30 e vou até as 22h. Durante o dia faço meus espetinhos aqui mesmo, aqui em casa, até mesmo para economizar. No começo eu estava na Fábrica1. Estava indo mais ou menos. Quando tinha show era bom, mas quando não tinha o movimento era baixo. Depois fui para a rua Rafael Pereira onde estou até hoje. Estou precisando contratar mais. Já contratei minha filha. Devo contratar outra pessoa porque começam as festas da cidade e o movimento aumenta, por isso devo chamar mais alguém temporário. Talvez precise de uma pessoa fixa. Mas isso será mais para frente. Não quero mais trabalhar como empregado. Como autônomo, tenho minha própria agenda. O dia que eu não quero trabalhar eu não vou. Sou eu que faço as minhas rotinas. Claro que a gente tem a preocupação de manter os clientes, por isso que é preciso manter a pontualidade. Hoje, trabalho de segunda a sábado.

Sempre empreendeu?

Eu sempre fui independente. Já tive pizzaria e restaurante. Desde pequeno eu comecei a trabalhar. Com sete anos trabalhava na roça. Chegava da escola e depois tinha que ir para a roça. Meu pai tocava 20 alqueires de roça, tudo na enxada, em Taciba. Trabalhei honestamente, nunca lesei ninguém. Meus pais já se foram, mas o que aprendi com eles é ser uma pessoa honesta, só pegar o que é meu, nada que é dos outros, e não lesar ninguém. Isso foi o que eles me passaram. Antigamente os filhos tinham mais respeito para com os pais. Hoje você vai falar algo e os filhos já querem retrucar ou sair de casa. Meu pai sempre dizia: ‘diga com quem tu andas que eu digo quem tu és’. Então, a experiência de vida que eu tive com ele é ser honesto, ser correto. Acho que isso é o mais importante para mim. Até hoje nunca lesei ninguém e nem quero. Passo isso para as minhas filhas. Tenho orgulho da minha família, desde os meus pais até os meus netos, só coisas boas.


                       
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