‘Sou apaixonado por desenho porque te leva a lugares que fisicamente não pode chegar’, diz Amilton Ferreira

‘Sou apaixonado por desenho porque te leva a lugares que fisicamente não pode chegar’, diz Amilton Ferreira

Conversamos com Amilton Ferreira Santos, nascido em Araçuaí-MG, no ano de 1979. Aos sete anos chegou em Mirandópolis, onde ainda criança passou a trabalhar no comércio com sua irmã. Na escola iniciou os desenhos e nunca mais parou, virou profissão, que exerce há cerca de 25 anos. Casado com Silvia Oliveira desde 2001, o empresário tem duas filhas (Brenda e Gabrieli). Confira na sequência a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Meus pais eram de Araçuaí-MG e trabalhavam na roça. Eu vim para Mirandópolis quando tinha sete anos, meus pais se separaram e eu vim morar com a minha irmã que já morava aqui. Nós somos em oito filhos e eu sou o mais novo, o caçula. Aqui em Mirandópolis eu só tinha a minha irmã na época. Ela tinha comércio e começou a dar certo. Quando cheguei comecei a trabalhar na loja, ajudante geral podemos dizer, mas quando eu tinha uns 15 anos, mais ou menos, o meu cunhado faleceu, daí passei a ajudar ela a ir fazer compra em São Paulo.

E o gosto pelo desenho?

Comecei a desenhar na terra, depois passei a desenhar no asfalto com giz ou tijolo, depois na escola desenhava com lápis nos cadernos. Lembro que gostava de desenhar Batman, a professora que ficava de costa, vários desenhos animados. No Cene eu participei de bastante concurso. Já ganhei concurso do Lions e Rotary. Um que me lembro foi o concurso da escola para fazer o desenho do uniforme.

Alguém te incentivou?

O meu maior incentivador foi o professor Walter Sperandio, eu tive aula com ele e era fora do comum, via ele desenhar e pensava “ele é o cara”. Ele também via os meus desenhos, depois a gente passou a pintar na rua e desenhava junto.

Qual foi seu primeiro serviço com desenho?

Foi um desenho que eu fiz da mulher do Ronaldo Marconato na época, a Carina, e do André e sua namorada da época. Eles pediram para eu desenhar os dois em papel, pois queriam dar de presente, então ele trouxe a foto e me pediu para fazer. Os dois gostaram e aí eu comecei a ganhar um dinheirinho.

Depois começou a fazer outros trabalhos?

Comecei a fazer letreiros profissionalmente, já faz uns vinte e poucos anos. Eu demorei uns três dias para fazer o primeiro letreiro (risos). Lembro que nessa época quem me deu uma força para começar foi o Marquinhos Francisco, que era diretor da cultura do município. Eu fiquei sabendo que ia ter um teatro e eles estavam precisando de um pintor para fazer uma faixa, então eu fui lá e pintei. Depois eu cheguei lá e ele disse que eu podia continuar fazendo. Como o Jorginho Maluly, prefeito da época, fazia muitas faixas, era bastante serviço.

A empresa ficava aonde?

Em 1996 eu comecei a trabalhar profissionalmente, trabalhava na minha casa mesmo. Como eu pintava muito para políticos e precisava desenhar os nomes e as pessoas, quando saíram essas máquinas eu tive que investir, mas isso foi em 2011, porque com elas a imagem sai perfeita, mas para comprar foi difícil, tive que pensar como eu ia fazer, até que eu consegui um empréstimo de R$ 120 mil, foi a primeira máquina da região com esse tamanho. Com isso meu trabalho deslanchou e eu comecei a pegar mais serviços também fora da cidade.

E os letreiros?

Isso é mais recente, a ideia surgiu por volta de 2017, mas só deu certo de fazer na gestão do Sodario. O primeiro letreiro que eu fiz foi em Mirandópolis, dai viram e depois já fiz em mais de 15 cidade, em toda a região, Castilho, Pereira, Murutinga, Auriflama, Rubiácea, Valparaíso, Sud Mennucci, Bandeirantes e agora em Santo Antônio do Aracanguá. Para isso investi em maquinário de pressão e em máquinas para cortar as letras. Hoje eu trabalho com quatro funcionários na empresa e a minha mulher, que trabalha fazendo as artes, na tecnologia é ela que domina.

Qual a sua ligação com Mirandópolis?

Amo de paixão! Tudo o que eu tenho na vida foi em Mirandópolis que eu conquistei. Aqui é uma cidade próspera e de pessoas maravilhosas que eu adoro e também sou querido, graças a Deus. Não nasci aqui, mas me tornei mirandopolense de coração.


                       
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