Mês da conscientização mundial do autismo é celebrado com caminhada pelas ruas do centro de Mirandópolis

Mês da conscientização mundial do autismo é celebrado com caminhada pelas ruas do centro de Mirandópolis

Em celebração ao mês de conscientização mundial do Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma caminhada será realizada em Mirandópolis na segunda-feira (3). Alunos, pais, professores e comunidade em geral sairão em frente da Igreja Matriz e vão percorrer as duas principais ruas da região central da cidade: a 9 de Julho e a Rafael Pereira. A ação terá início às 9h e contará com a presença das entidades Ser Criança e APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e os departamentos de Saúde e Educação.

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo é lembrado no dia 2 de abril. Foi uma data escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de levar informações para a população sobre o autismo e reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam esse transtorno. A ONU estima que existam mais de 70 milhões de pessoas autistas no planeta.

Em Mirandópolis, duas entidades realizam a avaliação e o acompanhamento de crianças autistas. O Ser Criança atende cerca de 120 pequenos. Já a APAE atende 26 alunos.

Sofia recebeu o diagnóstico para autismo quando tinha pouco mais de 1 ano de idade; hoje ela faz acompanhamento no Ser Criança. Foto: Vinicius Macedo

DESCOBERTA

A Sofia tinha apenas 1 ano e 3 meses quando seus pais, Nelciane Schran Veronezi e Luiz Eduardo Veronezi, descobriram os primeiros sinais de autismo da filha, hoje com quatro anos. “Ela tinha muitos movimentos repetitivos. Era uma criança que tinha atraso na fala. Começou a falar, mas depois com o tempo parou, que é muito comum no autismo. Ficava olhando para ventilador, girando as coisas, batia a cabeça na parede com movimento repetitivo. Começamos a perceber que ela não estava desenvolvendo como outras crianças, na fala e na interação”, lembra a mãe.

Como na época estava em período de pandemia, Sofia não estava indo para a creche. A mãe conta que notou esses comportamentos dentro de casa e buscou ajuda profissional. “Primeiro, procuramos a Fernanda Fioravanti, que é neuropsicóloga. Ela fez algumas seções de observação. E depois ela nos indicou para uma psiquiatra infantil de Araçatuba, a Carolina Marçal, que deu o diagnóstico para autismo”.   

Para Nelciane, a notícia do diagnóstico trouxe certa frustração em um primeiro momento. “A gente se sente perdido em meio ao desconhecido. Eu sempre falo para as mães ou pais que me procuram, e que também é confirmado pela psicologia, que a gente vive o processo do luto quando a gente recebe o diagnóstico de autismo. Você não sabe por onde começar, o que tem que fazer. Algumas das suas expectativas são frustradas e sonhos são deixados de lado.  O primeiro processo é muito difícil”, explica.

Depois de todo esse processo de aceitação, hoje, o casal se sente vitorioso por ter encontrado profissionais capacitados para acompanhar a Sofia. Ela estuda pela manhã na escola municipal Savero Tramonte e uma vez por semana é acompanhada no Ser Criança com fisioterapeuta, psicóloga e oficinas de arte e música.

Para os pais que estão passando pelo mesmo processo, Nelciane afirma que a busca pelo conhecimento deve ser uma constância. “Se você acha que seu filho está demorando para falar, por exemplo, esquece aquele papo de que é no tempo dele. Não. Não existe isso. Se percebeu algo, busque ajuda de um profissional e faça pesquisas. Os pais que estão nesse processo nunca podem esquecer que elas são crianças, que precisam aceitar, precisam brincar, precisam de amor. E precisamos ter fé. Nossas crianças são muito capazes e vão chegar aonde tem que chegar”, afirma a mãe da Sofia.

A psicóloga Ana Paula Anhani conta que o diagnóstico do autismo é clínico, feito por um médico especialista, geralmente o psiquiatra infantil ou o neuropediatra. “É feito através da observação dos comportamentos do paciente e pela entrevista com os pais”, confirma Ana Paula.

Segundo a profissional, a participação da família é essencial para o desenvolvimento da criança. “É muito importante que a família estabeleça o vínculo entre todos os profissionais envolvidos para que as atividades propostas estejam direcionadas às necessidades e peculiaridades de cada criança. Ainda que a criança esteja em algum programa de intervenção, na maior parte do tempo ela está sob cuidado de seus familiares, que quando bem instruídos podem ser facilitadores no manejo de comportamentos e no desenvolvimento dos seus pequenos”, diz Anhani.

Conforme explica Ana Paula, as intervenções são realizadas através de métodos com comprovações científicas de eficácia, sendo a mais indicada, a terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada). Dentro dessa ciência existem alguns métodos de intervenção, onde os profissionais de cada área vão se adequando de acordo com a singularidade de cada criança. “É necessário a construção de uma rede de apoio, além das intervenções, como a comunicação com a equipe escolar e com a família para assim criar juntos um planejamento com estímulos necessários para o desenvolvimento da criança”, explica a psicóloga.

O QUE É O AUTISMO?

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizados por alterações na comunicação social e do comportamento. É possível identificar o autismo através da análise clínica, que é feita por meio da observação direta do comportamento do paciente.

Segundo a psicóloga, o autismo se manifesta por três características: dificuldades para interagir socialmente, pouca habilidade no domínio da linguagem e da comunicação e padrão de comportamento restrito e repetitivo. Dentro do espectro autista existem algumas comorbidades que vão variar de acordo com a singularidade de cada um, alguns deles são, transtornos de ansiedade, hiperatividade, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e déficit de atenção.

É possível identificar alguns sintomas já nos primeiros meses de vida do bebê, como:  não apresentar reações sociais como sorriso ou gestos de afeto, não fixar o contato visual, não prestar atenção em sons ou vozes humanas, retardo na aquisição da fala e incômodo excessivo com sons e ruídos altos.


                       
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