‘Com 11 anos saí da Bahia para trabalhar no interior de São Paulo para ajudar minha família porque meu pai faleceu, recorda João Alves de Souza

‘Com 11 anos saí da Bahia para trabalhar no interior de São Paulo para ajudar minha família porque meu pai faleceu, recorda João Alves de Souza

Conversamos com João Alves de Souza, proprietário do Empório São José, que nasceu no interior da Bahia, em 1936, mas que com 11 anos foi trabalhar em Santo Anastácio para ajudar no sustento da família já que seu pai tinha falecido. Mudou-se para Guaraçaí em 1953, onde casou e teve cinco filhos, sendo que chegou em Mirandópolis por volta de 1966. Confira abaixo a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Nasci em 1936 em Jussiape, no interior da Bahia. Éramos em sete filhos, mas fiquei por lá até completar 11 anos, foi quando fui para Santo Anastácio. Viajei com alguns parentes para trabalhar na roça porque meu pai morreu, com isso precisava de emprego para conseguir ajudar a minha mãe. Onde eu morava na Bahia não tinha como ganhar dinheiro, então fui tentar a vida no mundo.

Quando tempo ficou lá?

Morei um pouco mais de um ano, depois fui para o Paraná e na sequência acabei voltando para a Bahia. Tinha uns 15 anos quando voltei, mas não deu certo porque continuava sem serviço. E apesar de ser jovem, nessa época já era uma pessoa responsável, precisava ajudar no sustento da minha mãe. Foi quando acabei indo para Guaraçaí.

Como surgiu Guaraçaí na sua vida?

A oportunidade apareceu porque quando estava na Bahia alguns amigos me falaram que tinha emprego em Guaraçaí, isso foi por volta de 1953. Tenho muito carinho pela cidade, porque foi lá que casei e tive meus filhos. Fiquei vários anos trabalhando na máquina de algodão.

E sua mãe continuou na Bahia?

Meu sonho era trazer minha mãe e as minhas irmãs aqui para o interior. Juntei um dinheiro e falei com meu chefe que precisava de uma ajuda financeira para trazer todos. Até tinha um dinheiro guardado, mas não era o suficiente, quando expliquei a situação ele fez um cheque na hora para complementar. Com isso fui buscar minha família, foi um sonho realizado na época. Lembro que foi em 1958, ano que casei.

Continuou em Guaraçaí?

Quando eles vieram surgiu a oportunidade de arrendar um pedaço de terra, foi o Mané Dantas que me ajudou. Como éramos em vários irmãos deu certo, porque tínhamos mão de obra para tocar o arrendamento (risos). Fiquei uns dois anos, foi quando precisei arrendar uma outra terra. Nesse outro arrendamento fiquei uns seis anos, até a planta do algodão não dá mais certo. O meu irmão queria que a gente fosse para São Paulo, mas a minha mulher achou melhor ficar no interior. Foi quando comprei um bar em Mirandópolis.

Da roça partiu para o comercio?

Sim, por volta de 1966. Lembro que sobrou um dinheiro do arrendamento e queria investir em algo, foi quando surgiu a oportunidade de comprar um bar, que era o Bar Cristal. Era próximo do famoso Bar do Ponto, que ficava quase na frente de onde hoje está o palanque na rua Rafael Pereira. Fiquei seis anos tocando o bar, mas como o Bar do Ponto saiu dali o movimento caiu muito. 

E quando surgiu o mercado?

A oportunidade surgiu em 1972, justamente porque o bar não estava dando mais certo e precisava mudar de ramo. Quando vendi o bar pensei novamente em ir para São Paulo, mas a minha esposa ficou sabendo que o José Fava queria vender o mercado porque estava doente. Então deu certinho, compramos o mercado já que o Zé não poderia mais trabalhar. Passaram quase 50 anos e estamos aqui até hoje, com a graças de Deus tudo deu certo.

Qual a importância de Mirandópolis na sua vida?

Cheguei aqui quando ainda era tudo de terra, era complicado porque quando chovia a terra da estação descia tudo para o nosso comércio (risos). Tenho uma gratidão muito grande por Guaraçaí e Mirandópolis, pois foi em Guaraçaí que casei e nasceram meus filhos. Em Mirandópolis consegui empreender, com isso tirei os sustentos para criar meus filhos.