‘Vim nessa vida com essa missão de cuidar deles (Joaquim e Aderlinda)’, lembra Dirce Forte

‘Vim nessa vida com essa missão de cuidar deles (Joaquim e Aderlinda)’, lembra Dirce Forte

Conversamos com Dirce Forte, de 69 anos, que cresceu na torrefação do Joaquim Alves Filho e da Dona Aderlinda. Sua ligação era tão forte com eles que literalmente foi adotada pelo casal. A mirandopolense ainda participou do início da igreja Messiânica em Mirandópolis, onde foi Ministra por quase 30 anos. Confira abaixo a entrevista completa.

Nasceu e cresceu em Mirandópolis?

Nasci na Fazenda Nova Vida, em 1951, que é na região do Amandaba. Cresci no sítio com sete irmãos. Depois de um tempo viemos para a cidade, em 1960. Dessa época lembro quando fui estudar na escola Helio Faria, assim como de um bar que tinha na região da Rafael Pereira e fazia sorvete, o dono era um japonês, assim como lembro com saudade do Bar do Tio Marcos. Estudei no grupo e depois parei de estudar para trabalhar, em casas de famílias, mas de conhecidos e parentes. Até que conheci a Dona Aderlinda e o seu Joaquim Alves Filho. Meu pai, Nicolas Forte, tinha um açougue que ficava no prédio de esquina próximo da delegacia. Nesse período eles tinham uma mercearia e uma porta meu pai alugou para o açougue, foi ali que eles me conheceram, quando trabalhei no açougue com meu pai.

Qual a ligação com Joaquim e Aderlinda?

A gente se conheceu bastante, pegou uma amizade muito grande e eu comecei a ficar com a Dona Aderlinda enquanto o seu Joaquim saia para trabalhar. Até que um dia fiquei para morar lá, a partir de 1973 e foi nesse período que voltei a estudar. O seu Joaquim teve uma importância muito grande para a cidade, foram 40 anos de torrefação, que começou lá e depois veio para a rua João Domingues de Souza. Depois meu pai veio trabalhar com eles, e também comecei a trabalhar junto com meu pai na torrefação. Foi um período muito bom, o seu Joaquim teve complicações com a diabete, teve problemas de saúde e veio a falecer em 1975.

Trabalhou até quando?

Fiquei na torrefação até 1991, que foi quando a gente vendeu. A Aderlinda faleceu em 2010, mas em 1991 ela sofreu um AVC. e depois era aquela coisa, como foram 40 anos de empresa ela tinha o pensamento de não vender, um apego material e histórico muito grande. Mas ela viu que era a melhor maneira e acabou vendendo para o Orlando.

Dirce com uma foto na torrefação

Você era considerada como filha?

Sim, como eles nunca tiveram filho então ficaram muito apegados, depois ela até chegou a fazer a adoção, claro que continuei sendo filha de quem eu sou, mas adotada por ela.

E a igreja Messiânica?

Iniciou em cima do Banco América, porque a senhora que era esposa do gerente era da igreja, então as pessoas começaram a ir lá, mas depois eles foram transferidos da cidade e foram embora. Daí começaram a vir se reunir aqui. Depois nós recebemos a imagem para formar a igreja, a formação oficial foi tudo aqui onde moro hoje, em 1977. Depois em 1978 que foi construída essa casa e a gente passou a igreja para os fundos da torrefação, onde ficou até 2009. Durante 29 anos fui responsável pela igreja, depois eu me tornei ministra, porque o responsável de Araçatuba, que era a nossa sede, pediu para que estudasse e me tornasse ministra, então fiquei durante 29 anos, até que eu completei 65 anos e automaticamente aposentei. Continuo frequentando, mas no momento estou só ajudando.

Dedicou sua vida a família?

Acredito que vim nessa vida com essa missão de cuidar deles (Joaquim e Aderlinda). Eles tinham o desejo de adotar um filho, mas as crianças que apareceram eram problemáticas e daí não deram certo. Então eles me conheceram e diante a orientação que tiveram na igreja viram que estavam preparados. Foi um período muito bom, sendo que ela sempre me falou para não sair da casa, que ela deixou para mim. Foi um período maravilhoso que a gente viu e aprendeu muito, deixa muita saudade. Tenho um amor imenso por Mirandópolis, nunca pretendi sair daqui para morar em outro lugar, amo a cidade.