‘Cheguei em Mirandópolis em 1973, cidade onde construí uma linda família e fiz grandes amizades’, lembra Jorge Chaim

‘Cheguei em Mirandópolis em 1973, cidade onde construí uma linda família e fiz grandes amizades’, lembra Jorge Chaim

Conversamos com Jorge Chaim Reseke, nascido em Bilac no dia 5 de julho de 1942. Chegou em Lavínia em 1973 para trabalhar como diretor de escola, na sequência veio para Mirandópolis, de onde nunca mais saiu. Confira abaixo a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Eu sou de Bilac, nasci e morei na mesma casa por 31 anos. Meu pai e minha mãe são de origem libanesa. Somos de uma irmandade de sete pessoas, um irmão e duas irmãs já morreram, hoje nós estamos em quatro. Meu pai tinha loja, era um comerciante conhecido como turco maneta, porque ele não tinha a mão esquerda. Eu cresci na loja e estudando, por isso logo cedo já iniciei como professor, sou da primeira turma de professores formada em Bilac, em 1961. Sempre gostei dessa profissão e a primeira escola que eu peguei foi na zona rural. Em 1962 ou 1963 tinha um curso chamado CADES (Curso de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário) e eu fui fazer em Marília para dar aula no ginásio. Somente em 1966, quando abriu a faculdade em Araçatuba, que fui para a faculdade cursar pedagogia.

Quando saiu de Bilac?

Fiquei morando lá até 1973. Prestei concurso para diretor e escolhi Santopolis do Aguapeí, onde comecei como diretor. Depois eu vim para Lavínia, em agosto de 1973. Eu só conhecia a região de passagem, vim para Lavínia porque a Leonor, que na época era minha noiva, trabalhava na Aliança. Fiquei até 1976, até que eu me inscrevi no concurso de remoção e vagou aqui em Mirandópolis, na Escola Noêmia. Um professor se removeu e eu vim para o Noêmia, onde eu fique até 1986. Depois fui ser supervisor em Andradina, onde eu fiquei até me aposentar.

E a carreira de advogado?

Quando faltavam quatro anos para me aposentar fiz as contas, foi quando vi que depois de quatro anos minha mulher também se aposentava, então decidi fazer outra faculdade, porque pensei “se eu for pra casa o casamento acaba, porque ela gosta de mandar e eu não gosto de obedecer” (risos). Eu comecei a faculdade em 1988, profissão que sigo até hoje.

E a parte social?

Fui convidado para assumir a Casa da Criança, onde eu fiquei por dois mandatos. Depois quando sai da Casa da Criança, o Hamilton Rufo me convidou para uma reunião no CAM (Clube Atlético Mirandópolis) onde de cara já me empossaram como presidente. Além disso, fiquei quatro anos na APAE e foi um período maravilhoso, tanto do ponto de vista dos alunos, quanto do trabalho com os professores. Se eu tiver a oportunidade eu volto, é apaixonante. Não posso esquecer da minha participação na maçonaria, hoje estou em Lavínia, e também no Rotary, onde fiquei por 16 anos.

O que pode falar do Rogerio, seu filho que faleceu?

O meu aniversário é dia 5 de julho, então ele (Rogério) viria para Mirandópolis no dia 9 de julho. Eu saí de manhã para comprar as coisas, voltei, quando estava em casa, por volta das 10h, meu filho Bruno entrou igual uma vaca brava contando que o Rogério vinha me fazer uma surpresa, mas sofreu um acidente e não estava bem, que estava internado em Lins, mas infelizmente ele já estava morto. Mas graças a Deus minha nora e o meu neto sobreviveram, já fez oito anos e o dia 9 de julho é um feriado penoso. Meu filho viveu 40 anos. Foram 40 anos de alegria e 40 anos de um bom filho. Graças a Deus ele era bem visto no trabalho e entre os amigos. Uma vez eu fui lá em São Paulo para agradecer aos meninos da equipe (Globo), porque ele tinha uma relação muito grande. Eu fiquei extasiado pelo carinho que eles tinham com ele. Aqui (apontando para o peito) está doendo, estou até querendo chorar, mas falar dele é importante para ter uma referência.

Quer deixar uma mensagem final?

Construí a minha família aqui em Mirandópolis, tudo o que eu tenho está aqui e eu devo isso ao meu trabalho e a colaboração de todos que contribuíram comigo, seja dentro da escola, na vida social ou no meu escritório. Graças a Deus formei uma linda família e boas amizades, só tenho boas memórias e agradecimento por tudo que Mirandópolis me proporcionou na vida.