‘São mais de 45 anos atuando como dentista em Mirandópolis, tenho muito orgulho da minha trajetória’, ressalta Zé Cesar

‘São mais de 45 anos atuando como dentista em Mirandópolis, tenho muito orgulho da minha trajetória’, ressalta Zé Cesar

Conversamos com José Cesar Gonçalves, nascido em Mirandópolis no ano de 1951. Pai de dois filhos e com um neto, Zé Cesar atua há mais de 45 anos como dentista. Na parte social trabalha há quase 30 anos como voluntário na APAE, entidade que também já foi presidente. Confira na sequência a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Tenho três irmãos (Aluísio, Alexandre e Candida), sendo que dois também são dentistas. Uma curiosidade que pouca gente sabe é que eu tinha um irmão gêmeo, que se chamava Jose Carlos Gonçalves, mas por questão médica na hora do parto não resistiu as complicações. Ele nasceu primeiro, mas teve sangramento nasal e outros problemas, daí acabou falecendo horas após o parto. Eu digo que nasci de surpresa, pois como não tinha pré-natal naquela época, ninguém sabia que eram gêmeos, quando viram uma segunda criança foi aquela festa dizia minha avó paterna que acompanhou meu nascimento. Meus pais sempre foram da roça, ele nasceu em Monte Aprazível, e teve um sito em Neves Paulista. Eles vieram para Mirandópolis em 1949, para conhecer a região que ainda estava se formando. Meu pai gostou daqui, conversou com o Manoel Alves de Athaide que convenceu ele a vir de vez. A minha mãe conseguiu assumir como professora na escola Dr. Edgar e daí formaram família e uma bela história.  Eu estudei no Edgar e depois no Noêmia, meu pai dizia que o estudo seria o melhor caminho para a gente se dar bem na vida. Ele explicava que a roça era uma maneira sofrida de vencer, e mostrava na prática quando a gente não estudava. Ele colocava a gente pra carpir e daí a gente entendia na prática o que ele estava querendo dizer.

Sempre gostou de futebol?

Em casa sempre brincava com meus irmãos, aquela coisa de brincar em casa e na rua de golzinho. Escolinha comecei no Esporte Boys, quando eu tinha uns 11 anos. Treinávamos lá na Vila Belmiro, que não é em Santos, mas aqui em Mirandópolis, tinha um campo com esse nome (risos). Depois comecei a frequentar o CAM (Clube Atlético Mirandópolis) porque meu pai era sócio fundador, foi quando saiamos pra jogar com times da região e era muito gostoso.

E o interesse pela odontologia?

No iniciou pensei em engenharia e medicina, foi quando o irmão do Gabriel Carbello, que era meu amigo de classe, me chamou para ir até Lins conhecer a faculdade porque o Gabriel estudava lá. Conhecemos a faculdade de letras, odontologia e engenharia. Conversamos com o pessoal, mas nada ficou definido do que seguir, ainda tinha dúvidas. Mas tudo mudou mesmo quando um dia estava almoçando com meus pais, e chegou em casa o Edvaldo Loureiro falando que iria fazer a inscrição do vestibular de odontologia, em Araçatuba. Meu pai me incentivou a fazer, pois tinha visto que eu ainda estava perdido na escolha do curso. Fiz a inscrição e passei no curso, mas nos dois primeiros anos foi um sofrimento, queria desistir, mas tinha medo de falar para os meus pais, de decepciona-los. E foi coisa de Deus também, pois a partir do terceiro ano me apaixonei quando começou a prática, até hoje tenho muito prazer em trabalhar como dentista. Na faculdade fiz estágio na Amazonas, Vale do Ribeira, Itajobi, entre outros locais carentes. Essas experiências me deixaram preparado para atuar depois de formado.

Depois de formado volta pra Mirandópolis?

Eu e o meu amigo Mineiro, que tinha um fusca, fomos percorrer algumas cidades para ver se agente encontrava um local para abrir um consultório. Andamos pelo Vale do Ribeira, Sorocaba, entre outras cidades, mas não decidimos por nada. Quando eu cheguei em Mirandópolis depois de uma semana, meu pai me incentivou a abrir um consultório aqui mesmo. No começo eu até relutei, mas acabei concordando pensando que se não desse certo mudaria. Mas iniciei muito preparado, então me dei bem profissionalmente, tanto que estou na ativa há mais de 45 anos. Até hoje tenho muito prazer em trabalhar, mas já dei uma desacelerada nos atendimentos.

E a parte social?

Comecei ajudando nos leilões da APAE quando ainda era no trevo, acredito que foi no final dos anos 80 e início de 1990. Comecei como todo voluntário, um ano ajudando a transportar mesas e cadeiras, outro ano ajudando no churrasco, depois com as bebidas. Sou do tempo que íamos pegar gelo três horas da madrugada para colocar nas bebidas, depois com a chegada da penitenciaria passaram a fornecer gelo. Depois de vários anos de voluntariado, em 2001, fui o presidente da festa do leilão de gado da APAE, assim como três anos como presidente da entidade, anos maravilhosos. Mas vale ressaltar que iniciei o voluntariado como dentista em 1995, só fiquei dois anos afastado pela pandemia, mas voltei recentemente a atender de forma voluntária uma vez na semana.

Quer deixar uma mensagem?

Quero agradecer primeiro a Deus, pois me deu saúde para trabalhar na plenitude até hoje. Assim como agradecer a minha família, aos amigos e aos clientes que sempre me deram apoio para continuar trabalhando.