‘Com 24 anos decidi largar o futebol para estudar Odontologia’, lembra Marco Morales

‘Com 24 anos decidi largar o futebol para estudar Odontologia’, lembra Marco Morales

Conversamos com Marco Antônio Fernandes Morales, que nasceu em Mirandópolis em 1963, filho dos professores Dinho e Jandira. Sua trajetória profissional não começou no consultório como dentista, mas no futebol como goleiro, onde jogou profissionalmente por alguns anos no Matsubara. Confira na sequência a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Meu pais eram professores, o Dinho (In Memoriam) e a Jandira. Tenho um irmão gêmeo, o Luis, que também jogou futebol e hoje é agente penitenciário em Valparaíso, já aposentado. Também tenho um irmão mais novo que é investigador de polícia, o Júlio. A nossa infância foi tranquila, eu e o Luis sempre jogando futebol, o meu pai gostava muito de esporte, chegou a ser treinador de time infantil, diretor de esportes de Mirandópolis, então a gente sempre esteve envolvido com futebol. E logo com 16 anos já saí de Mirandópolis para jogar futebol.

Qual a trajetória no futebol?

Um técnico que tinha aqui em Mirandópolis me levou para o Palmeiras quando eu tinha de 15 para 16 anos, eu fui lá e passei no teste. Meu pai foi para São Paulo para me matricular na escola, para que eu ficasse lá direto, mas fiquei com medo porque era novo, então disse para o meu pai que não queria ficar, mas já estava tudo certo já tinha matriculado na escola e tudo. Então voltei e fui jogar na AEA (Araçatuba) que era aqui pertinho, joguei por dois anos e depois fui pro Matsubara, foi onde joguei duas Copas São Paulo. Depois joguei ainda uma outra Copinha pelo Joinville, só que naquela época não era igual hoje que tem 120 times, eram cerca de 20 times. Vale explicar que o Matsubara é um time que hoje não existe mais, mas ele era um time muito forte no juvenil, não no profissional.

Ficou quantos anos no Matsubara?

Joguei lá por seis anos, três anos no júnior e outros três no profissional. Naquela época não existia a lei Pelé que existe hoje, que você paga uma multa e vai embora para outro time, você era propriedade e ficava preso no time. Então começou a aparecer uns times querendo me comprar, lembro do Coritiba e Botafogo. E o Matsubara não queria me vender porque eu era goleiro e tinha 23 anos, então eles falavam que eu era muito novo e precisava esperar um pouco mais. Foi quando comecei a ficar um pouco preocupado, pois naquela época com 30 anos o jogador era veterano, não é igual hoje que joga até os 40 anos. Então comecei a pensar que daqui a pouco faria 30 anos e pararia de jogar. Aí no final de 1987, no último ano que eu joguei, quando eu tinha 23 anos, terminou o campeonato e o time que estava mais certo para eu ir era o Coritiba que tinha sido campeão brasileiro, então era um bom time. Aí me ligaram e falaram “olha, a gente não vai te vender, você vai ficar aqui mais uns dois ou três anos e depois a gente te vende”. Então eu disse que ia parar de jogar para estudar, o presidente achou que eu estava só fazendo pressão, mas eu resolvi parar. Fiz o cursinho por três meses e entrei em Araçatuba, na Unesp, onde me formei em Odontologia.

Qual foi a reação da família?

Na época o meu pai ficou meio bravo, ele falou “poxa, você tem condição e vai parar?”, mas eu fiz pensando no futuro e naquela época as cifras não eram iguais de hoje, não ganhava tanto assim e com 30 anos parava. Hoje tenho muitos amigos daquela época que chegaram a jogar em times grandes e hoje estão com uma situação financeira difícil, porque não é igual hoje os salários.

Como foi a transição pra faculdade?

Me formei quando tinha de 28 para 29 anos, logo menos faço 30 anos de formado, graças a Deus. Aí eu me formei e aconteceu um negócio interessante, eu nunca pensei em ficar em Mirandópolis, saí com 15 anos e no último semestre da faculdade cheguei a fazer inscrição do exército para ir para Amazônia, porque sempre morei fora. Aí eu estava fazendo estágio no consultório do Dr. Sunada no meu último semestre. Foi em 1992 que eu me formei e no final do ano teve eleição, foi quando ele e o Zanon saíram como candidatos e ganharam, então ele falou “Olha Marco, eu vou assumir a prefeitura como vice-prefeito e vou dar expediente, então o meu consultório vai ficar metade do dia parado, você quer trabalhar aqui comigo até você montar um consultório e a gente combina uma porcentagem?”. Então juntou uma coisa com a outra e eu acabei ficando e foram 14 anos com o Dr. Sunada, aqui nesse consultório de hoje estou há 15 anos.

Quando casou?

Casei em 1994 com a Isabel, tudo começou quando eu fiz faculdade em Araçatuba, na faculdade eu viajava a cada 15 dias de bate-volta para o Paraguai para trazer material odontológico para vender para a turma. Minha mulher era de Andradina, conheci ela em uma dessas viagens. Temos um casal de filhos, o Pedro fez Engenharia Elétrica na Unesp, de Bauru, e está em Campinas. E a Bia foi para o terceiro ano de Medicina na Faberp em Rio Preto.

Pode deixar uma mensagem final?

Queria dizer que apesar de ter saído muito cedo daqui, eu sou muito realizado de poder envelhecer aqui na cidade onde eu nasci, porque é o lugar onde estão os meus amigos, então eu sou um mirandopolense que ainda não me aposentei, mas eu tenho vontade de me aposentar e ficar em Mirandópolis, porque eu gosto muito daqui.


                       
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