‘São 59 anos de açougue, uma trajetória de luta e orgulho pelo que construímos’, ressalta Ademir Costa

‘São 59 anos de açougue, uma trajetória de luta e orgulho pelo que construímos’, ressalta Ademir Costa

Conversamos com Ademir Francisco Costa, que nasceu em 1947 em Mirandópolis. Filho de um carrinheiro, aos 10 anos começou a ajudar seu pai a puxar lenha. Em 1962 começou a trabalhar no açougue, local de onde nunca mais saiu. Amante da dança, Ademir recorda dos tempos de baile no clube, do futebol no estádio e do cinema. Confira abaixo a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Tive uma infância tranquila, éramos em 4 filhos, sou o terceiro. Meu pai trabalhava com carrinho, era um dos vários carrinheiros que tinha em Mirandópolis nos anos 50. Eram diversos pontos de carrinhos e charretes pela cidade, tenho uma boa lembrança, bons tempos.

Onde estudou?

Fiz a minha trajetória escolar no Dr. Edgar Raimundo da Costa, sempre digo que gostava de estudar e que ia bem na escola, só perdi um ano, que foi na segunda série (risos), mas fora isso caminhou tudo bem. Naquele tempo existia um respeito muito grande com os professores. A gente tratava eles como uma autoridade, infelizmente isso foi se perdendo com o tempo. Terminei até o ginásio, mas não dei sequência em uma faculdade porque comecei a trabalhar cedo, não tinha muita escapatória naquele tempo.

Quando começou a trabalhar?

Comecei a ajudar meu pai quando tinha uns 10 anos, inicialmente ajudava a puxar lenha no carrinho. Também me recordo de ainda criança ficar moendo café em casa, passava horas e horas fazendo esse tipo de serviço. Além disso, ajudava meu pai puxando carne do matadouro, nós trazíamos no carrinho para os açougues, nesse tempo que ele vislumbrou a oportunidade de montar seu próprio empreendimento. Ele começou junto com um socio, porque não tinha condição de abrir sozinho. O primeiro açougue dele foi na saída para Lavínia, por volta de 1958.

Como foi esse início no açougue?

Eu ficava ajudando tanto no matadouro como lá no açougue, posso dizer que depois daí nunca mais saí de dentro de um açougue (risos). No início deu certo, mas depois de uns 5 anos foi ficando mais complicado, daí ele preferiu desfazer o negócio e ir para São Paulo. Depois entendemos que foi uma decisão errada, tanto que poucos meses depois já voltamos para Mirandópolis, porque lá não teria condição de criar os filhos como em Mirandópolis.

Voltaram para trabalhar com o que?

Logo que voltamos surgiu a oportunidade de comprar esse prédio onde está o açougue até hoje (Açougue Nossa Senhora Aparecida – rua João Domingues de Souza, nº 285). Com muita dificuldade fez uma casa no fundo e montou o açougue na frente, dali em diante nunca mais saí daqui. Quando começamos aqui era tudo terra, muitos anos depois que foi chegando o asfalto e mais casas. A cidade não cresceu tanto para esse lado, mas é um bairro muito bom, com casas de família e perto do centro. Meu pai trabalhou até os anos 90, foi quando começou a ficar doente e passei a tomar conta. Sempre prezamos por qualidade, por isso estamos trabalhando até hoje, são 59 anos só nesse ponto, uma história que será difícil alguém superar porque hoje tem muito herdeiro e pouco sucessor.

Quem te ajuda no açougue?

A minha filha, Simone, e meu sobrinho, Paulo. Eles sempre me ajudaram, conseguimos prosperar porque tivemos foco no trabalho e sempre procurando atender nossos clientes da melhor maneira.

Quais as lembranças da juventude?

Sempre fui metido a dançar (risos)! Apesar de toda dificuldade financeira, eu dava um jeito de ir aos bailes no clube para me divertir. Mas era baile, todo mundo bem vestido onde íamos para ouvir as orquestras, as bandas, e dançar. Uma juventude bonita e saudável, claro que tinha bebida, mas nem compara com o que escutamos falar dos dias atuais. Além disso, gostava muito de jogar bola e ir ao cinema namorar, era a nossa diversão nos anos 70.

Gostaria de deixar uma mensagem?

Quero dizer e agradecer algumas pessoas que se tornaram referências em nossas vidas, lembro com muito carinho do Dr. Pardo, que me ajudou muito e se tornou uma referência de caráter a ser seguido. Tenho outras referências que levei para a vida, como o Dr. Neif, Agostinho Franco e Alcides Faleiros, pessoas de uma índole inabalável e que de certa forma moldou meu caráter. Aproveito também para agradecer meus familiares e os clientes, pois sem eles não estaria aqui até hoje trabalhando. Por isso, meu muito obrigado.


                       
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