‘Consumir arte não é somente na questão financeira. A apreciação colabora com o nosso desenvolvimento’, explica Cleber Ferreira

‘Consumir arte não é somente na questão financeira. A apreciação colabora com o nosso desenvolvimento’, explica Cleber Ferreira

Conversamos com o mirandopolense Cleber José Ferreira dos Santos, de 37 anos, que é filho de Mariano Ferreira e Maria Amélia dos Santos (in memoriam). Ex-diretor do departamento de cultura e formado em artes visuais, Cleber ainda é professor no Sesi e mantém um ateliê onde expõe suas artes e dá aula de arte-terapia. Confira na sequência a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Eu morava em uma fazenda, depois viemos para Mirandópolis, onde moramos um período no bairro Aeroporto, por uns dois anos, até que meu pai finalizou a construção da nossa casa lá no São Lourenço de Fátima. Estudei no Ebe Aurora, depois um período no Edgar e no Noêmia.

Sempre gostou de arte?

Costumo dizer que eu era um estranho no ninho. Aos domingos, eu me recordo, quando era jovem tinha um programa de rádio feito pela Beatriz Roveri, era aos domingos de manhã e ela ficava tocando músicas clássicas, eruditas, Beethoven, Chopin. Eu gostava muito de escutar isso. E na escola comecei a ter contato com os professores. Fui aluno do professor Walter, da professora Lúcia, entre outros. Mas digo que o meu fazer artístico foi fruto de uma persistência. Porque assim, em relação a apoio, em relação a questões financeiras eu sempre fui muito de “dar o meu jeito” para poder produzir. Então eu pintava em papel, pintava em papelão, utilizava tinta guache, tinta de tecido, carvão. Teve um período que eu recebi muito apoio da Sueli Dabus. A Sônia Delai e a Regina Mustafa também foram grandes incentivadoras.

Quando foi a primeira exposição?

A primeira foi no Noêmia, em 2002, quando estava saindo do terceiro ano do ensino médio. Depois em 2004 eu fiz uma exposição na estação ferroviária. Essa exposição foi em junho, por sinal. E olha a coincidência, eu fiz a exposição chamada perfil, e coloquei como tema o perfil da minha mãe, daí em dezembro do mesmo ano ela veio a falecer. Depois foram surgindo outras, teve uma na boate Arauê, em 2005, que foi uma exposição bem grande, porque foi um marco dessa transição aí, pois depois comecei a expor em São Paulo, Araçatuba, Andradina, daí começou a fluir melhor.

Como é viver da arte?

Costumo dizer que eu vivo 100% de arte. Porque eu sou professor de arte em escola. Tenho minha galeria onde trabalho e comercializo as obras. E agora estou com alguns cursos, estou dando aula aqui de quarta e quinta-feira no ateliê (rua Dom Pedro I, nº 1160, na esquina da rodoviária de Mirandópolis).

Qual é o seu estilo?

Atualmente está mais na parte do figurativo, contemporâneo, na linha da abstração. Na verdade, eu sempre andei nesses estilos. Por exemplo, eu tinha uma resistência muito grande em pintar flores e eu desenvolvi uma técnica para fazer a abstração das flores, então eu faço flores abstratas. Nas figuras humanas, principalmente figuras femininas, eu gosto de pintar bastante e aqui no ateliê mesmo não tem obras desse tipo agora porque foram comercializadas, mas a proposta da nova exposição é trazer um pouco de tudo que eu já produzi ao longo da vida com mais qualidade, claro.

Como foi ser diretor de cultura?

Foi uma experiência impar na minha vida. Por várias circunstâncias eu acabei ficando apenas um ano no cargo, mas foi um ano de muito trabalho, onde eu tive grandes realizações com o apoio de muitas pessoas. Foi uma possibilidade de fazer com que Mirandópolis recebesse um pouco mais de cultura, e não só cultura nesse âmbito de promoção de pessoas, mas na promoção da própria cultura em si. Mostrar que as coisas existem, que o mundo é muito mais do que a gente vê e que é importante receber essas influencias de outras cidades de outras culturas, de outros estilos artísticos.

Quer deixar uma mensagem?

Gostaria de agradecer a todas aquelas pessoas que acreditam no meu trabalho enquanto artista e professor. Que acreditam no Cleber, já que eu estou aqui para mostrar e proporcionar coisas belas para as pessoas. Nem sempre a gente consegue. Eu estou sempre buscando fazer o melhor e eu espero que todas as pessoas contemplem. O consumir arte não é somente na questão financeira, de você comprar. A apreciação, a contemplação colaboram muito como o nosso desenvolvimento e nosso intelecto e agradeço as pessoas que acreditam de certa forma.


                       
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