Iracy e Domingos Caldatto, uma história entrelaçada por amor e perserverança

Iracy e Domingos Caldatto, uma história entrelaçada por amor e perserverança

Conversamos com o casal Iracy Artuzi e Domingos Caldatto, que casaram em 1963 e tiveram três filhos. Morando no mesmo sítio há 60 anos, a história do casal se mistura com a de Mirandópolis nas ações sociais e da igreja, sem contar as viagens da Dona Iracy por todo estado de São Paulo para mostrar suas habilidades artísticas com recursos naturais, como palha de milho, cabaças, sementes e caules de bananeiras. Confira na sequência a entrevista completa.

Nasceram e cresceram aonde?

Iracy: Nasci em Paraíso, próximo de Catanduva. Depois vim com meus pais para Guaraçaí, trabalhavam e um sítio. Depois fomos para Murutinga, foi onde montou uma granja. Com esse empreendimento comprou mais dois sítios e formou três filhos engenheiros, foi um tempo de muito trabalho.

Domingos: Nasci em Novo Horizonte, que também é perto de Catanduva, depois vim morar no bairro Barreirão, em Lavínia, depois em Guaraçaí.

Quando casaram?

Domingos: Casamos em dezembro de 1963, temos três filhos: Antônio Carlos, Maria Dolores e Ana Cristina.

Qual era o trabalho naquela época?

Domingos: Meus pais compraram essa propriedade em 1954 (sítio onde moram até hoje, na saída do bairro Jardim Miguita indo para Córrego do Boi). Lembro que meu pai falou que tinha comprado o sitio para que eu me formasse em alguma coisa. Mas não deu certo, porque eu tinha que carpir café e ir pra escola, na segunda série não dei conta de levar as duas coisas e fiquei só trabalhando (risos). Aqui tinha café, depois partimos para a roça de algodão, mas não virou nada, daí investimos em gado, e até hoje estamos com o remanescente dele.

Quais outras lembranças?

Domingos: Lembro que meus vizinhos eram todos de origem japonesa, e cada família possuía um pequeno lote de terra, como os Mike, os Nakamura, os Hassuyuki, os Yamazaki e os Maeda. O Senhor Mike foi quem abriu a Máquina de beneficiar café, que mais tarde seria do Lourencinho e de seu Abelardo. Na época, havia a Máquina dos Ohara, dos Parra Sanches e mais tarde dos Minari, que beneficiavam arroz. Havia também a Comercial Perez, que beneficiava café, exatamente no local hoje ocupado pelo supermercado.

E das pessoas?

Domingos: Conheci o padre Epifânio, o Dr. Neif, que era um homem muito direito, o Senhor Geraldo Braga e o senhor Alcino Nogueira de Syllos, que foram prefeitos. Tenho boas lembranças do Alcides Falleiros e da dona Dovina, que coordenavam os encontros de casais do Cursilho, o que me faz lembrar também do Padre Vicente e do Padre Messias.

Ana com sua mãe Iracy

Dona Iracy, e seu dom artístico?

Iracy: Sempre costurei roupa de festa em Mirandópolis, Fui a primeira e única plissadeira da cidade (risos). Sempre gostei de pintar quadros, até que um dia estava assistindo Ana Maria Braga, senão me engano, e tinha um artesão que fazia trabalhos manuais com palmas de coqueiro. Como na Chácara havia três pés de babaçu com muitas folhas, gravei o programa em um videocassete para depois fazer igual, e deu certo. Passou um tempo e fui aprender a trabalhar com palha de milho, em um curso promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Levei as minhas coisas dentro de uma cestinha de palma de coqueiro, uma mulher viu e ficou encantada com meu trabalho, com isso me convidou para ensinar outras pessoas a trabalhar com palmas de coqueiro.

Viajou por várias cidades?

Iracy: A minha primeira aula foi em Osvaldo Cruz, para mais de vinte alunos, e foi o começo de uma grande aventura. Trabalhei no SENAR rodando todo o estado de São Paulo. Até em Cotia dei curso para os padres, mas ia principalmente em cidade que tinha assentamento. Lembro que dei vários cursos para o pessoal do Yuba, foi muito bom.

Vocês participavam das ações sociais?

Domingos: Sempre estivemos envolvidos. Já fui cursilhista, do conselho da igreja paroquial, sempre muito atuante. Ajudei por muitos anos no Leilão da APAE, quando era no trevo de Mirandópolis. Eu ficava responsável por montar as barracas, duravam semanas para montar tudo, um trabalho danado, mas por uma boa causa.


                       
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