‘Foi uma trajetória conturbada e ainda tenho sonhos, mas hoje afirmo que sou realizada’, diz Thais Kobayashi

‘Foi uma trajetória conturbada e ainda tenho sonhos, mas hoje afirmo que sou realizada’, diz Thais Kobayashi

Conversamos com Thais Ferreira Kobayashi, nascida em Presidente Venceslau, no dia 9 de fevereiro de 1987. O sonho era cursar psicologia, sendo que para juntar dinheiro para estudar começou a trabalhar no salão de cabeleireiro da madrasta e se apaixonou pela profissão. Confira na sequência a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Nasci em Presidente Venceslau, mas vim para Mirandópolis com quatro anos, quando inaugurou a penitenciária em 1991, porque os meus país trabalhavam no Estado. Eu tenho mais dois irmãos, o Thiago que é o mais velho, e a Tamires.

Quando começou a trabalhar?

Quando eu terminei o ensino médio a minha mãe já tinha separada do meu pai e voltaria para Venceslau, mas nessa época eu estava namorando e não fui, então fiquei morando com o meu pai e com a minha madrasta Regina, que já trabalhava como cabeleireira há mais de 40 anos. Então fui trabalhar com ela no salão para aprender alguma coisa, já que eu não tinha passado no vestibular. O meu sonho sempre foi cursar psicologia, mas como eu não passei, o meu pai me disse para trabalhar naquele ano e tentar novamente no próximo ano, nem que fosse para fazer um cursinho. Mas durante esse tempo em que eu fui trabalhando, eu me identifiquei demais com a profissão de cabeleireira, isso em junho de 2005, há 18 anos.

Neste período, fez algum curso na área?

A Regina começou a tentar me ensinar algumas coisas e ao ver que eu levava jeito me incentivou a iniciar o curso, lembro que ela até me deu de presente. Quando estava na metade do curso ela me incentivou a trabalhar em outro salão, porque ela trabalhava apenas com corte e queria que eu me desenvolvesse. Foi nessa época que a Virinha apareceu na minha vida, porque ela estava precisando de uma auxiliar. Fiz um teste durante uma semana, isso em fevereiro de 2006, poucos meses depois de ter iniciado o curso. Durante todo o ano de 2006 eu trabalhei na Virinha como auxiliar, fazendo um pouco de tudo, tenho uma enorme gratidão por e referência na profissão.

Thais começou a namorar o Jonas em 2010. Foto: Arquivo Pessoal

Até quando trabalhou na Virinha?

No final do ano de 2006 eu já não estava mais namorando há algum tempo, mas em um reencontro eu acabei engravidando da Gabriela e não foi uma gestação fácil. Fiquei sem trabalhar um período e depois ainda fiquei uns meses fazendo um extra na floricultura Puro Verde. Foi maravilhoso trabalhar lá, as meninas me ajudaram bastante e o João também.

Quando montou o salão?

Voltei a trabalhar no ano seguinte, em novembro de 2007. Foi nessa época que eu resolvi montar um salão usando um espelho da minha casa, uma cadeira usada que eu ganhei e um lavatório que o meu pai me deu. Iniciei atendendo aos poucos, porque na época não tinha dinheiro para investir em produtos, mas mesmo assim eu sempre divulgava o meu serviço e ia na casa das pessoas que eu conhecia, levando a Gabriela no carrinho e a bolsa embaixo. Fiquei vários anos trabalhando na área, até que em 2011 fui chamada para trabalhar na penitenciária, de um concurso que tinha passado em 2007. Já namorava o Jonas, conheci ele em 2010, e mesmo assim na época achei que seria mais estável trabalhar no Estado. Então fui pra Tremembé, mas nesse ano fiquei grávida da segunda filha (Giovana). Como tive um principio de aborto, o médico pediu para ficar em Mirandópolis. Tive a filha, deu tudo certo, depois fiquei um ano de licença e nesse período fui transferida para Pirajuí.

Como foi essa nova mudança?

Foi um desastre, a maior loucura que eu fiz na minha vida, porque eu estava em uma cidade que eu não conhecia ninguém e com a Geovana muito pequena. Chegamos em novembro e não tinha vaga em creche. O Jonas também precisava trabalhar, com isso eu levava a Giovana ainda bebe pro trabalho, ficava na portaria esperando ele sair pra buscar, não foi fácil. Não estava nada feliz, na penúltima noite que eu trabalhei eles me colocaram na enfermaria e eu não entendia nada, mas mesmo assim eu tinha que separar os remédios e levar para o pavilhão, então foi nessa noite que eu parei para refletir e disse “Deus, eu não preciso disso. Eu tenho profissão!”. Pedi que Deus me enviasse um sinal para eu entender se eu tinha que ficar ou se poderia ir embora e naquela noite eu só fiz confusão na enfermaria. Quando cheguei em casa sabia que precisava tomar outro rumo na minha vida e falei com o Jonas que iriamos voltar.

Gabriela, Giulia, Jonas e Giovana. Foto: Arquivo Pessoal

Foi quando montou o salão novamente?

Fiquei vários anos de licença do Estado, mas quando saiu a minha exoneração em 2015 eu decidi que a minha renda viria do salão, com isso comecei a trabalhar em casa. Em 2018 tive a minha terceira filha (Giulia), depois chegou a pandemia, até que em março de 2021 montei o meu salão porque achei que estávamos saindo da pandemia, mas uma semana depois teve a segunda onda e pegou forte em Mirandópolis. Voltei a atender em casa e em maio consegui abrir o salão onde estou muito feliz com tudo que vem acontecendo em minha vida.

Quer deixar uma mensagem?

Depois de Deus, a minha família é tudo na minha vida, principalmente meu marido Jonas que é uma referência de pai. Mas em meio a esse turbilhão de mudanças na minha vida, eu tive uma pessoa que me resgatou, que foi a minha amiga Romilda. Além disso, devo gratidão a Renata Orsi, pois ela não precisava ir no meu salão, mas mesmo assim ela ia e sempre me ajudava. E teve uma passagem com ela inesquecível, pois ela estava no salão e escutou a Gabriela falando que queria ir no rodeio. Eu não tinha condições de levar, mas a Renata escutou porque era em casa e levou a Gabriela. Não vou conseguir nomear diversas amigas que me ajudaram, então deixo um agradecimento especial a todas que de certa forma me ajudaram a chegar onde estou hoje.


                       
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