‘Sempre fui honesto e trabalhador, com isso ganhei respeito da sociedade’, conta Evaldo Suriano, o Vadinho

‘Sempre fui honesto e trabalhador, com isso ganhei respeito da sociedade’, conta Evaldo Suriano, o Vadinho

Foto: Eduardo Mustafa

Conversamos com Evaldo Suriano de Souza, conhecido popularmente como Vadinho, que nasceu em 1962 em Mirandópolis. Aos 15 anos começou a trabalhar vendendo salgados pelas ruas, até que aos 18 anos foi chamado para uma entrevista de emprego na Casa Moreira. Foi contratado e ficou por lá 18 anos, até o fechamento da empresa na cidade. Depois passou alguns anos trabalhando em Valparaíso, até que voltou em 2017. Nos últimos meses seu propósito de vida está em evangelizar na igreja. Confira a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Nasci no dia 17 de julho de 1962, no Hospital das Clinicas (onde hoje é o Hospital Estadual) aqui em Mirandópolis. Cresci com meus pais até os quatro anos, depois fui criado pelos meus tios e a minha prima, que faleceu recentemente. Estudei no Dr. Edgar até a sétima série, depois completei o segundo grau na escola 14 de Agosto e no Noêmia. Meus pais tinham um sitio no Monte Serrat, depois vendemos na época da crise e ficamos só com dois alqueires. Meu pai já faleceu, mas a minha mãe é viva. Tenho oito irmãos.

Quando começou a trabalhar?

Comecei a trabalhar com uns 15 anos vendendo salgado nas ruas, fiquei nessa luta cerca de três anos. Me lembro que com 18 anos estava na rua e o gerente da antiga Casa Moreira me viu trabalhando e me chamou para fazer uma entrevista de emprego. No dia que fui conversar com o gerente já me ofereceu um trabalho, aceitei na hora. Fiquei lá de 1981 até 1999, quando fechou o mercado, foram bons anos. Sempre fui bem tratado, o Zé Moreira gostava muito de mim. Não tenho o que reclamar dessa passagem, tanto que o pessoal me conhece como Vadinho da Moreira.

E na sequência, onde trabalhou?

Em 2003 fui trabalhar no supermercado Arroz Estrela, fiquei lá um pouco mais de um ano. Depois fui para São Paulo, em 2005, trabalhar como vendedor na rua. Mas lá precisei enfrentar a policia que toma as mercadorias e isso não era pra mim. Fiquei lá até 2006, foi quando surgiu uma oportunidade em Valparaiso, no mercado Economia, onde fiquei quatro anos. Sai porque teve alguns cortes e estava entre os que foram despedidos, mas logo encontrei uma oportunidade para trabalhar na Ajinomoto, onde fiquei por seis anos. Por questão de saúde fiquei afastado um tempo e depois acabei sendo mandado embora, dai voltei para Mirandópolis e comecei a fazer alguns trabalhos esporádicos, pois não consegui arranjar nenhum trabalho fixo.

E a questão do nanismo, sofreu preconceito?

Sofri muito preconceito quando criança, depois não posso reclamar porque já sabia como me defender e fui levando tranquilamente. Hoje a gente vê pessoa com nanismo trabalhando na televisão, coisa que antigamente não tinha. A informação está na televisão e internet, coisa que antigamente não encontrava facilmente. 

Na sua família tem outras pessoas com nanismo?

Não, sou de um núcleo familiar que não tem outras pessoas, sou o único que nasceu com essa característica.

Qual a importância da igreja na sua vida?

A religião é importante, porque eu bebia bastante e a igreja me ajudou a ficar fortalecido sem o álcool. Aqui na Igreja Cristã Ressuscitando Vidas fico evangelizando e ajudando o pessoal. Estou sempre nos cultos que acontecem de segunda, quarta e sexta às 19h30, e aos domingos a partir das 19h. A igreja fica na avenida Doutor Raul da Cunha Bueno, nº 1230.

Sempre gostou de morar em Mirandópolis?

Só fui embora de Mirandópolis por causa de emprego, que aqui não tinha na [época, mas gosto muito de morar aqui. Eu nasci aqui, brincava nas ruas e foi onde consegui meus primeiros empregos, então não posso reclamar de nada da cidade. Fiz muitos amigos, até hoje tenho o respeito das pessoas, isso é importante.


                       
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