Dona Terko, educadora e voluntária

Dona Terko, educadora e voluntária

Uma história de doação ao próximo, é assim que resumimos a vida de Terko Ishii Usui, que nasceu em 1935, teve quatro filhos (três dentista e um médico) e perdeu o marido aos 36 anos. Homenageada como “Mulher do ano 2000” pelos serviços prestados à comunidade e por toda uma vida voltada ao trabalho, Dona Terko comentou em entrevista ao jornal AGORA NA REGIÃO que tem muito orgulho dos seus alunos, pois diariamente quando anda por Mirandópolis recebe um “bom dia professora”, deixando extremamente satisfeita com sua missão como educadora. Confira abaixo a entrevista completa.

Onde a senhora cresceu?
Meus pais moravam em Martinópolis-SP, nasci lá em 1935 e cresci na cidade mesmo. Eles sempre se preocuparam com a educação, daí depois fui fazer o Normal em Rancharia. Na sequência casei e vim para Mirandópolis, por volta de 1957, tinha 21 anos.

Chegou aqui e já foi dar aula?
Lá em Martinópolis tinha trabalhado por dois anos como professora. Aqui quando cheguei fui lecionar no Monte Serrat, Santa Odila, Santa Emília (perto do Tabajara), São Sebastião e depois Lavínia, onde fiquei trabalhando por cerca de seis anos. Na sequência fui dar aula na escola Dr. Edgar Raimundo da Costa, tenho muito orgulho em dizer que lecionei para todos os meus filhos, do mais velho ao mais novo, foram quase 35 anos como professora.

Lecionar sempre foi um desafio?
A vida é que traz os desafios. Para você ver, quando meu marido morreu eu tinha apenas 36 anos. A minha filha mais velha tinha 10 anos e a caçula estava prestes a completar dois anos. Consegui vencer porque os quatro filhos se formaram e criaram lindas famílias. Tenho neta médica e outras duas fazendo faculdade.

Voltando no tempo, quais são as saudades?
Lembro que quando cheguei Mirandópolis não tinha muita coisa, sei que eram outros tempos, uma realidade totalmente diferente dos dias atuais. No meu tempo a escola era formada com alunos que respeitavam, então não posso falar que sofri em sala de aula, pois eles tinham respeito, muito diferente do que escutamos falar nos dias de hoje.  Não digo saudade, mas recordo com boas lembranças dos alunos que lecionei. Até hoje eles me encontram na rua e vem conversar comigo, isso não tem preço. O engraçado é que as vezes encontro alguém com cabelo branco, mais senhor sabe, que até eu me surpreendo (risos).

Você foi eleita a “Mulher do ano 2000”, como foi isso?
Tem duas coisas que não me esqueço jamais. Uma é da homenagem que o Dr. João Olavo Bissoli fez em uma certa ocasião. Além disso, fui homenageada como “Mulher do ano 2000” pelos serviços prestados à comunidade e por toda uma vida voltada ao trabalho. Lembro que esse evento fez parte da Semana da Mulher, promovida pela Prefeitura Municipal de Mirandópolis, através do Fundo Social de Solidariedade.

E a senhora foi uma das fundadoras da Apam?
Hoje sou vice-presidente, mas fiquei 23 anos como presidente. Foi justamente em uma conversa entre amigas, que por coincidência eram professoras, que surgiu a Apam – Associação dos professores aposentados de Mirandópolis. Em fevereiro de 1997, um grupo formado por professores decidiu se encontrar mensalmente com objetivo principal de proporcionar o lazer entre as participantes, sendo como regra principal a proibição de falar sobre política, religião e futebol. Hoje temos as nossas reuniões e é uma importante confraternização.

O que mais colabora e participa?
Além de fazer crochê e mandar pro Hospital de Barretos, ajudo a fazer o Yakissoba para vender no Nipo. Lá fui presidente da Fujinkai e ainda sou vice-presidente da terceira Idade da colônia, acima de 65 anos. Além disso, faço parte do alongamento do grupo Conviver, que estava na estação e hoje está lá no prédio da Patrulha Mirim. Fazemos alongamento de segunda e sexta-feira, é muito bom.

Poderia deixar uma mensagem?
Tenho mais de 50 anos como moradora de Mirandópolis, fiz amizades nesse tempo que me marcaram muito. A mensagem que deixo é que a educação é algo fundamental na vida de todos. É de extrema importância que cada pessoa tenha cuidado para não deixar se desviar para caminhos errados. Além disso, hoje é importante ter uma graduação, as crianças e os jovens precisam desse entendimento sobre a importância da educação. Para finalizar, quero dizer que sou feliz porque a maioria dos meus alunos estão bem profissionalmente e formaram família. Isso traz muita satisfação.