Projeto com 120 crianças autistas ou com TDAH amplia espaço para atendimento; conheça o Ser Criança

Projeto com 120 crianças autistas ou com TDAH amplia espaço para atendimento; conheça o Ser Criança

O jornal AGORA NA REGIÃO iniciou uma série de entrevistas com as entidades beneficentes, filantrópicas ou ONGs que prestam diversos serviços no município de Mirandópolis. O intuito desta série é mostrar como funciona o dia a dia de cada uma delas. Nesta edição, a reportagem ouviu a fundadora e diretora Vanessa Delai Dias Bogaz e a coordenadora Simone Betoni Barbosa Diletti, ambas do Ser Criança, entidade especializada no atendimento de crianças autistas ou com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). A associação, que leva o nome da avó de Vanessa, foi fundada em 2015 e atende 120 crianças de até 12 anos de idade, e com lista de espera que gira em torno de 60. São 25 profissionais que atuam no atendimento entre administrativo, serviços gerais, psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e neurologista. Neste ano, a entidade teve de alugar um novo espaço para ampliar o atendimento.

Quais são as atividades ofertadas pelo Ser Criança?

São atividades de avaliação e intervenção psicológica. Quando a criança apresenta algum atraso no desenvolvimento nós a recebemos. Ela passa por uma assistente social, que faz parte de nossa equipe, para uma triagem no intuito de identificar qual a necessidade da família. Ela fica em uma lista de espera e, ao ser chamada, ela passa por uma avaliação, feita por um psicólogo e psicopedagogo. Caso ela tenha necessidade de permanecer na entidade, vai passar também por outros profissionais. Aqui nós temos critério de diagnóstico. Fica para fazer a etapa da intervenção somente as crianças que preenchem esses critérios. Nosso público-alvo é criança com autismo e TDAH, caso a criança não seja diagnosticada nós fazemos o encaminhamento para outra especialização, outro órgão responsável.

Então vocês atendem por livre demanda?

Sim, é espontâneo. Muitas vezes os encaminhamentos partem das escolas e do NES (Núcleo de Especialidades em Saúde) da Prefeitura porque fazemos esse contato com frequência e também das famílias em geral que nos procuram diretamente aqui na entidade.

E por quanto tempo é feito o acompanhamento da criança diagnosticada com autismo ou TDAH?

Na maioria dos casos, temos que fazer o atendimento mais rápido possível porque quanto mais ágeis nós formos mais estímulos vamos conseguir desenvolver na criança. Ao oferecermos mais estímulos para ela, maiores são os resultados de interromper os atrasos. Não podemos deixar com que esses atrasos ‘se acumulem’ e causem prejuízos. Quando fazemos a intervenção, ocorre semanalmente. Temos um projeto para este ano, que já começou a funcionar, de as crianças passarem, durante o contraturno escolar, com vários profissionais que abordarão diversas terapias, com cerca de 50 minutos de estímulos cada. Quanto mais pudermos oferecer estímulos para elas, melhor.

Vocês têm notado aumento na procura?

Sim. Existe um aumento. Muito por conta de que as informações chegam melhor para as pessoas, elas procuram saber mais e vão atrás. As escolas também estão mais envolvidas nesta questão, muito por conta da inclusão escolar. Essas crianças começaram a frequentar o ensino regular, o que não ocorria antigamente quando elas frequentavam o ensino especializado, com educação especial, que eram direcionadas para outras escolas. Agora, elas frequentam o ensino regular e os professores passaram a receber esses estudantes. Então, eles começaram a entender e a estudar melhor sobre essa questão e, consequentemente, eles precisam do apoio da família. Portanto, professores, cuidadores e monitores, ao perceberem algum atraso já ligam o sinal de alerta e orientam a família adequadamente e a direciona para buscar o acompanhamento. Embora haja esse aumento de casos, não conseguimos responder cientificamente esse motivo.

E são quantas crianças atendidas?

Temos 120 crianças, no total, com autismo ou TDHA, que estão em fase de avaliação e acompanhamento. A maioria é autista. Todo atendimento é gratuito.

Vocês tiveram que ampliar o espaço?

Sim. Alugamos um novo espaço, que fica localizado em frente deste, muito por conta do nosso projeto que estamos desenvolvendo para aumentar os estímulos. O autismo é um transtorno que afeta várias áreas do desenvolvimento. Quanto mais a gente oferecer de recursos para essa criança, melhores condições ela terá para se desenvolver. Temos que ter precocidade no atendimento e a intensidade das terapias. Por isso essa necessidade e de ampliar o espaço. Se pudéssemos fazer mais atendimentos para elas nós faríamos. O ideal são 40 horas semanais de estímulos, ou seja, oito horas por dia, somadas o período em que ela está na escola e outras quatro horas, no mínimo, de intervenção. O Ser Criança está tentando ser pioneiro. Nós poderíamos focar em atender maior quantidade de crianças, mas estamos atuando fortemente nesta primeira infância.

Associação alugou novo espaço para ampliar o atendimento, localizado na rua Senador Rodolfo Miranda, nº 1357, em frente a sede atual

O atendimento é feito apenas para crianças de Mirandópolis?

Não. Recentemente fizemos parcerias com os municípios de Guaraçaí e Lavínia. Com o recurso destinado, conseguimos contratar mais profissionais e realizar o atendimento para todos. Ano passado, a prefeitura de Guaraçaí encaminhou 10 crianças e Lavínia, seis. Neste ano, Guaraçaí encaminhou 35 e Lavínia, 15 crianças. Os demais são de Mirandópolis. Existe esse convênio por meio do termo de colaboração.

De onde vem os recursos para manter a associação?

Estamos contando apenas com recursos municipais. Ainda não temos destinação estadual e federal. E também as doações particulares. Temos a subvenção municipal de Mirandópolis que é feito pela Saúde e pela Educação. E temos os termos de colaboração com Guaraçaí e Lavínia. Os demais recursos vêm de doações e realizações de eventos.

Quais os próximos eventos da entidade?

Temos a entrega de cachorro-quente marcada para o dia 25 de fevereiro. E no dia 26 de março vamos ter o segundo leilão de gado, no Haras Ikejiri.

Quais as maiores dificuldades e desafios?

É expandir ainda mais e, principalmente, buscar profissionais como fonoaudiólogo. Não há na região. Essa é a maior dificuldade: encontrar fonoaudiólogos. E tem a questão de recursos também, mas estamos conseguindo caminhar dentro das nossas possibilidades. Estou na pendência de contratar uma nutricionista. Vamos ver como será a arrecadação do leilão.

Como está a saúde financeira da entidade?

Às vezes ficamos em atraso, mas nada que prejudique o andar da entidade. Um dos nossos maiores pesadelos é a guia de INSS que, hoje, gira em torno de R$ 20 mil mensais. Então, contamos muito com o leilão e outros eventos que realizamos para angariar os recursos. Temos as guias, FGTS e outras despesas. Com os recursos dos convênios nós pagamos a equipe de profissionais e as demais despesas são de recurso próprio. Temos um custo mensal de R$ 35 mil somente das despesas em gerais como materiais, aluguel, testes psicológicos, entre outros. Estamos pleiteando recursos estadual e federal para ajudar com tudo isso.

SERVIÇO

  • Nome: Associação Conchetta Bettone Delai – Ser Criança
  • Fundação: 04/03/2015
  • Presidente atual: André Ricardo Bogaz Sagrado
  • Atendimento: 120 crianças de até 12 anos
  • Nº de funcionários: 25 colaboradores
  • Telefone: (18) 99703-9981
  • Endereços: Rua Senador Rodolfo Miranda, nº 1370 e nº 1357, ambas no Centro
  • Como doar: 22.183.786-0001/62 (PIX-CNPJ) ou pessoalmente

                       
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