O projeto voluntário que acolhe pessoas com dependência química e alcoólica: conheça a Casa do Oleiro

O projeto voluntário que acolhe pessoas com dependência química e alcoólica: conheça a Casa do Oleiro

Em uma passagem da Bíblia cristã, o oleiro pode ser colocado como figura do próprio Deus, dotado de misericórdia e paciência e responsável por “moldar” as imperfeições das pessoas. “Como barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos, ó comunidade de Israel”, diz trecho de Jeremias, no capítulo 18. É desta forma que funciona o trabalho da Casa do Oleiro, em Mirandópolis. A casa de recuperação para dependentes de drogas e álcool foi fundada em 2019 e hoje conta com apoio intenso da igreja evangélica, com o objetivo de moldar os internos para uma nova vida.

Nesta edição da série com as entidades beneficentes, filantrópicas ou ONGs que prestam diversos serviços no município, a reportagem ouviu o diretor da instituição, Fábio Kikuchi de Martini.

Que tipo de atividade vocês desenvolvem?

Nós fazemos um trabalho não apenas na cidade, como também na região. Trabalhamos com a dependência química e álcool. Nossa instituição é voluntária. A pessoa precisa buscar o tratamento. Ela entra em contato conosco e nós fazemos uma entrevista. Após esse primeiro contato, ela é inserida na instituição para realizar o tratamento. Ela pode nos procurar pessoalmente na entidade ou por telefone. Depois essa pessoa irá receber todo acompanhamento técnico e espiritual.

Como funciona esse tratamento?

Temos uma equipe que fica acompanhando-os 24 horas. Temos quatro obreiros que fazem esse acompanhamento. Também temos uma enfermeira, uma psicóloga e uma assistente social que realizam a manutenção do tratamento com os alunos. Temos a ajuda também do CAPS do Município, que realiza um excelente trabalho na questão da medicação e exames. Eles entram na instituição e passam por vários procedimentos não somente de forma interna, mas externa através do acompanhamento em saúde. Temos também oficinas, fabricação de desinfetantes e uma horta hidropônica que ganhamos do Rotary.

E eles permanecem na entidade de forma integral?

Sim, 24 horas por dia, recebendo todo auxílio. E quando precisam sair para fazer algo fora da instituição eles são acompanhados pelos obreiros.

Quais verbas públicas vocês recebem?

Esse ano começamos a receber a subvenção da prefeitura, que vai trazer um pouco de alívio para nós, em especial na manutenção do prédio, que é alugado, na alimentação, e nos pagamentos de funcionários. E temos também as contribuições que os alunos pagam mensalmente, não são todos, além das campanhas que pretendemos fazer.

Os obreiros são ligados a qual igreja?

Estamos ligados à Plenitude Igreja Batista de Mirandópolis.

E qual é o trabalho deles?

Eles ajudam na organização da entidade, no cuidado dos alunos. Por conta da abstinência, sempre tem que ter um obreiro por perto para instruir. Também temos os cultos que ocorrem de forma frequente. Temos períodos de orações e estudos. Existe todo um cronograma dentro da Casa que conseguimos inserir os alunos a participar desse processo, como a laborterapia.

Entidade foi fundada em 2019 e conta com cerca de 30 alunos internos

Existe um tempo médio que eles ficam na Casa?

Nós trabalhamos com o mínimo de seis meses. Mas varia muito do dano que foi causado antes do aluno entrar na instituição. Estamos com projeto de aumentar de seis para nove meses. A ideia é fazer com que os últimos três meses o aluno se dedique na busca de um emprego, na busca da ressocialização. O objetivo é deixa-lo preparado para encarar a vida lá fora.

Quais os principais desafios?

Ainda é a questão financeira. Temos questões da alimentação dos alunos e também do aluguel do prédio, sem contar água, energia e a manutenção em geral. Hoje, por exemplo, estamos precisando muito de freezer e geladeira. E também a questão da mistura das refeições. Temos recebido muitas doações, como do Assentamento Florestan Fernandes, na pessoa da Olga, do Rotary, Lions, Demolay, Prefeitura, Amigão, Nilton Supermercados, o Eduardo diretor da Penitenciária II, de Lavínia, além da comunidade em geral.

Quais os próximos eventos para angariar fundos?

Nos reunimos em janeiro e fizemos um cronograma. Em maio, vamos fazer uma campanha de arroz carreteiro e em junho vamos fazer um simpósio de arrecadação. Pretendemos fechar a rua e colocarmos barracas para a venda de salgados e doces para podermos levantar nossas verbas. Também estamos realizando a venda de desinfetantes. Conseguimos a doação da essência e colocamos à venda na própria instituição, a R$ 10 por dois litros.

SERVIÇO

  • Nome: Associação Terapêutica Casa do Oleiro
  • Fundação: 07/01/2019
  • Presidente atual: Wilson Tadeu da Silva
  • Atendimento: 30 alunos internos
  • Site: www.associacaocasadooleiro.com.br
  • Endereço: Rua Domingos Terensi, nº 27, Centro
  • Como doar: 32.598.180/0001-41 (PIX-CNPJ)

                       
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