‘Tive uma vida difícil, mas consegui criar meus filhos com muito amor e sem faltar nada’, recorda Zilda Ramos

‘Tive uma vida difícil, mas consegui criar meus filhos com muito amor e sem faltar nada’, recorda Zilda Ramos

Conversamos com Zilda Ramos Rodrigues, que nasceu em Catanduva em 1933, chegando em Mirandópolis no ano de 1971. Aos 90 anos, Zilda trabalhou por décadas na roça, depois começou a fazer doce de mamão e abóbora e ainda vendendo gelinho nas escolas. Com seis filhos – Jose Carlos e Sergio (falecidos), Maria Lucia, Vera Regina, Sandra e Vanda, ela ainda tem 7 netos, 8 bisnetos e 2 tataranetos. Confira na sequência a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Nasci em Catanduva, no dia 6 de abril de 1933. Meus pais trabalhavam na roça, no cafezal. Comecei a trabalhar cedo, não lembro quantos anos eu tinha, mas era meninona. Naquele tempo tinha que trabalhar, éramos em cinco filhos.

Quando saiu de Catanduva?

Casei com 22 anos, foi quando fui morar com meu marido e mudamos para algumas cidades. Passamos por Guararapes e depois fui morar na fazenda Santa Helena, em Valparaíso. Quando morava nessa fazenda meu marido faleceu, com 36 anos, deixando eu com seis filhos.

Como foi criar os filhos sozinha?

Muito complicado! Tive três gestações de gêmeos, sendo que perdi um casal (uma gestação). Quando tive a última gestação passei muito mal de saúde, vim para o Hospital de Mirandópolis e o médico me deu oito horas de vida porque o rim não estava funcionando. Mas estou aqui até hoje, sempre fui forte, passei por essa situação e algumas outras.

Quando chegou em Mirandópolis?

Com a morte do meu marido tive um acerto financeiro da fazenda que ele trabalhava, com isso mudamos para Mirandópolis, em 1971, já que meus pais moravam aqui. Já vim morar nessa casa que estou até hoje (bairro Nossa Senhora de Fátima), mas era uma casa ainda mais simples desta que moro. O asfalto chegava até no CAM, aqui embaixo era tudo brejo, poucas casas, a cidade estava se formando para esse lado. 

Qual o seu trabalho nessa época?

Quando cheguei em Mirandópolis fui trabalhar novamente na roça, que é o que sabia fazer. Mas lembro que não tinha homem que me vencia na lida (risos). Trabalhando todos os dias sem preguiça que criei meus filhos, depois que aposentei comecei a trabalhar em um hotel, depois passei a fazer cocada. Na verdade, era doce de mamão e abóbora que fazia e meus filhos vendiam. Depois eu mesmo passei a vender gelinho nas escolas. Sem falar que quando sobrava tempo carpia quintal e plantava mandioca e abóbora em um terreno, essa comida ajudava a complementar o sustento dos meus filhos.

Sempre foi ativa?

Há uns dois anos que parei, estava sempre viajando e indo no forró da terceira idade. Teve uma vez que minha filha trancou o portão para eu não sair, mas pulei o muro pra ir no forró (risos). Eu que pintava a casa, cortava as folhas das árvores e arrumava o telhado. Nunca tive preguiça de trabalhar, acho que isso me ajudou a chegar nessa idade.

Gosta de política?

Não, mas sou fã do Jorginho Maluly! O primeiro comício dele foi na frente de casa usando um caixote para fazer o discurso. Puxei a energia de casa e chamei todos os vizinhos para participar do comício. No ano passado ele veio no meu aniversário, uma alegria ter essa amizade.

Recentemente, você ficou doente?

Sim, passei por algumas complicações. mas consegui recuperar a tempo de festejar meu aniversário em abril, apesar de ainda estar um pouco com dificuldade de andar e de lembrar algumas coisas.

Qual a receita para chegar aos 90 anos?

Gosto de tomar uma cerveja com açúcar (risos). Parei nos últimos meses por questão da saúde, mas sempre gostei de beber uma cervejinha. E gosto de ouvir musica, adoro Boate Azul e Leão Domado.


                       
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