‘Mirandópolis me salvou’, diz Eduardo Rosa após passar por uma cirurgia cerebral aos 32 anos

‘Mirandópolis me salvou’, diz Eduardo Rosa após passar por uma cirurgia cerebral aos 32 anos

Uma forte dor de cabeça enquanto trabalhava como frentista em um posto de combustível iria mudar a vida do jovem Eduardo Aparecido Rosa, de 32 anos, de Mirandópolis, no final do ano passado. Em entrevista ao jornal, Eduardo conta como enfrentou a batalha pela vida depois de passar por uma cirurgia delicada após a descoberta de um angioma cavernoso do sistema nervoso central. Recuperado, hoje ele agradece a toda corrente formada por familiares e amigos da cidade que o ajudou na realização da cirurgia e os custos com exames. “Espero um dia poder retribuir todo esse carinho e todo esse amor. Mirandópolis foi sensacional comigo”, afirma o jovem. Confira a entrevista. 

Onde você nasceu? 

Eu nasci e fui criado aqui em Mirandópolis, minha família é toda daqui. Meu avô foi um dos primeiros a morar na cidade. A primeira casa que ele comprou fica na esquina onde minha avó mora. Sou pai e tenho uma filha de 11 anos. Já me divorciei e hoje namoro. Estudei no SESI e depois fui para a Marilena Santana Correa Fernandes, na Aliança. 

Como ocorreu essa sua batalha pela vida? 

Foi ano passado, final de novembro. Eu estava trabalhando no Posto Avenida como frentista e senti como se fosse uma fisgada na cabeça. Comecei a perder minha visão do lado esquerdo, bem lentamente. Como estava no final do expediente, continuei trabalhando de teimosia. Achei que fosse uma dor passageira porque havia ido em um show em Lavínia um dia antes e tinha dormido pouco. Quando deu hora do meu almoço, fui descansar ali mesmo porque já estava ao final do expediente. Quando retornei foi difícil enxergar. Eu continuava a trabalhar, sem alertar ninguém, não queria falar nada porque achava que era cansaço. Voltei para casa para descansar. Dormi das 14h até as 18h. Na hora que acordei, da cintura para cima já não enxergava mais nada, estava tudo escuro. Esperei minha namorada chegar. Sentei na cama e fiquei esperando, sem alertar ninguém. Fomos para o Hospital e minha pressão chegou a 19. Me levaram às pressas para o quarto com sintomas de AVC. Fui medicado e fiz alguns exames. Na tomografia constatou sangramento no cérebro. O médico não descartou a possibilidade de ter sido um câncer. 

Qual foi sua reação? 

Estava normal. Não fiquei apavorado. Meu irmão, Lairton Rosa, chegou ao hospital desesperado. E eu estava com muita dor na cabeça, que chegava a pulsar. Eu colocava minha cabeça prensada à grade da maca para aliviar a dor. Os medicamentos injetados na veia não resolviam nada. Daí me encaminharam para a Santa Casa de Araçatuba. Fiquei praticamente um dia inteiro por lá. Um médico sequer olhou meu exame e disse que meu caso não era cirúrgico e que teria que ser tratado com medicamentos em casa. Foi um atendimento de cinco minutos. Minha família ficou inconformada com aquilo. Voltamos para Mirandópolis e eu pedi para meu irmão procurar um especialista porque a dor era insuportável e eu enxergava tudo embaçado. Encontramos o médico Rodrigo Mendonça, de Araçatuba. Quando ele olhou meu exame já deu o diagnóstico e o valor da cirurgia que ficava em torno de R$ 150 mil. Havia também a possibilidade da radiocirurgia, mas era um procedimento que só “adormecia” a doença, podendo voltar em cinco anos. 

Eduardo durante sua recuperação. Foto: Arquivo Pessoal

E qual foi o diagnóstico? 

Fui diagnosticado com angioma cavernoso do sistema nervoso central [doença dos vasos sanguíneos caracterizada pelo desenvolvimento de lesões vasculares no cérebro]. Minha visão já estava sendo afetada e se nada fizesse poderia acarretar em uma morte cerebral. Mas o valor da cirurgia foi mais do que R$ 150 mil. Daí em diante foi uma luta contra o tempo. Entrei em contato com meus amigos e começamos a angariar recurso para pagar pelo menos os exames, que também tinham custo alto. Minha avó tem uma propriedade na Aliança e a colocamos à venda, mas até hoje não foi vendida. Porém, o pessoal de Mirandópolis abraçou a causa, amigos abraçaram a causa. Todos me ajudaram de alguma forma. Foi arrecadado cerca de 30% do valor e nós conseguimos também entrar com mandado judicial. Houve a mobilização de muita gente. Muita gente me ajudou mesmo. Ganhei novilha, carneiro… Tive que até dispensar algumas doações porque já havia ganhado os prêmios da rifa. Tinha gente que vinha em casa trazer dinheiro para ajudar na cirurgia. Foi sensacional. 

E qual foi seu sentimento em ver toda essa mobilização? 

O sentimento de carinho, que não foi só por mim, mas pela minha família. A família Rosa sempre foi muito respeitada. Tenho orgulho disso. As pessoas ajudavam bastante pelo sobrenome também. Gente que não me conhecia, mas conhecia meu pai, meus avós. Mirandópolis me salvou, cara. Foi algo inesperado que aconteceu comigo. 

Como você se sente hoje? 

Sinto bastante tontura, mas estou ótimo. Não sinto dores, apenas um cansaço ao fim do dia, que é considerado normal pelo médico. Foi uma cirurgia delicada e que leva tempo para restabelecer. Tem gente que leva um ano ou mais para se recuperar. Hoje, estou afastado do trabalho e recebendo pelo INSS. 

Eduardo em momento de agradecimento. Foto: Arquivo Pessoal

O que passou pela sua cabeça na sala de cirurgia? 

Pensei em Deus. Não tinha outro pensamento. Mas pensei também na minha filha. Até cheguei a pedir para meu irmão para cuidar dela, caso eu não voltasse. Mas em nenhum momento fiquei com medo porque sou uma pessoa de muita fé. Sempre aceitei a vontade de Deus em tudo. Sou grato a Deus, a minha família e a toda população de Mirandópolis. Espero um dia poder retribuir todo esse carinho e todo esse amor. Mirandópolis foi sensacional comigo, não tenho o que reclamar. É uma cidade que tem muito afeto. Se eu morasse em uma cidade maior, não iria conseguir tanto apoio.   


                       
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