‘Nós precisamos de pessoas que enxergam Mirandópolis com amor’, comenta Tereza Canatto, da Associação Comercial

‘Nós precisamos de pessoas que enxergam Mirandópolis com amor’, comenta Tereza Canatto, da Associação Comercial

Foto: Eduardo Mustafa

Conversamos com Tereza Aparecida de Almeida Canatto, nascida em Murutinga do Sul, no dia 22 de junho de 1960. Seu primeiro emprego foi aos 12 anos como doméstica, depois trabalhou no comércio local e fórum, até que em 1983 iniciou na Associação Comercial de Mirandópolis. Casou com o Tião Canatto em 1997, tem dois filhos (Henrique e Eduardo) e dois netos (Maria Clara e Lorenzo). Confira na sequência a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Nasci em Murutinga, mas só fiquei lá até um ano de idade. Meus pais trabalhavam como lavradores e vieram para a fazenda Furquim, em Guaraçaí. Eu cresci com meus pais e sete irmãos, quatro homens e quatro mulheres, eu sou a quinta filha. Nós ficamos na fazenda até quando eu tinha sete anos e depois viemos para a fazenda Santa Maria, onde eles foram trabalhar como meeiro, na fazenda do Lourencinho.

Quando vocês chegaram na cidade?

Com 12 anos eu vim para Mirandópolis, em 1972, com toda a família. Quando os meus pais vieram para a cidade eles passaram a vender um pouco de tudo, vendiam ovo, verduras e tudo o que dava para vender. Dos meus irmãos, o mais velho foi trabalhar como cobrador de ônibus. Eu com 12 anos comecei a trabalhar como empregada doméstica na casa do Sr. Romeo, onde eu fui babá do Everton Jacomini. Mesmo trabalhando de doméstica eu continuei estudando, estudei no Edgar e depois na escola 14 de Agosto. No ano de 1979, o Dr. Manoel me arrumou um serviço no fórum, que foi quando fundaram a Associação Comercial. O Dr. Manoel era meu professor e eu vivia enchendo o saco dele, porque ele dizia que por eu ser nova deveria querer uma coisa melhor. Ele tinha uma escola de datilografia e eu comecei a fazer datilografia na escola dele, até que um dia ele chegou na sala e disse que tinha duas oportunidades de emprego, uma na Associação Comercial e outra no fórum, que eram duas oportunidades muito boas, mas como a Associação Comercial ainda estava sendo fundada ele decidiu me colocar no fórum para fazer serviços gerais por tempo determinado (cerca de dois anos ou mais), contratada pela prefeitura.

Até quando trabalhou no fórum?

Fiquei lá até o final de 1981, durante esse tempo eu cobri todas as licenças e férias que o pessoal tinha, até que chegou ao final do meu contrato e eu fiquei sem nada e pensei em ir para o comércio, só que o meu irmão tinha muita amizade com o Fábio, que tinha uma loja de móveis embaixo da rádio, a loja Dois Irmãos. Trabalhei na loja de 1982 até junho de 1983, que foi quando a loja fechou e ele voltou para Castilho. Nesse período o meu pai já tinha morrido então eu fiquei só com meus irmãos e minha mãe.

Tião, Tereza, Henrique e Eduardo. Foto: Arquivo Pessoal

Como você entrou na Associação Comercial?

Depois de sair da loja eu fui para São Paulo comprar enxoval para o meu sobrinho Vinícius. Quando eu cheguei, a minha irmã me avisou que tinha ouvido um anúncio na rádio, dizendo que a Associação Comercial estava precisando de uma secretária e que parecia ser o último dia. Eu fui, mas não era o último dia, na verdade o prazo já tinha acabado, mas Deus é tão maravilhoso que ainda teve como eu fazer o teste. Como eu trabalhei na loja antes, eu já sabia fazer consulta no SPC e foi isso que me ajudou. Então eu conversei com o Sr. Oswaldo Gonçalves e na hora ele já me disse para sentar e datilografar um texto. Naquela época a gente tinha que fazer o texto certinho, com cada vírgula. Depois do teste ele me disse para voltar na segunda-feira, mas já adiantou que o período estava encerrado e que várias outras pessoas já haviam feito o teste antes. Quando eu voltei na segunda-feira, ele me disse que tinha conversado com o Sr. Antônio, presidente da Associação, e que ele queria me conhecer, então eu fui conversar com ele e nós nos demos bem. Fui contratada e comecei a trabalhar no dia 3 de outubro de 1983.

Como manter motivada depois de 40 anos no mesmo trabalho?

A primeira coisa é amor por aquilo que nós fazemos! Não importa o que seja, você tem que por amor em tudo o que você faz. Aqui na Associação Comercial nós buscamos sempre a igualdade entre as pessoas. 

Como você enxerga o comércio local?

Hoje percebemos que está tudo complicado, mas isso é devido ao cenário que nós passamos nos últimos anos com a pandemia e também por causa da política, que ainda está com as coisas muito indefinidas. O comércio de Mirandópolis tem muita condição para se unir cada vez mais! Eu acredito muito em Mirandópolis e vejo que aqui tem muita coisa boa que pode ser feita e eu acredito que é possível. Apesar da minha idade, eu tenho aprendido muito com o Ricardo, atual presidente, pois ele consegue enxergar as coisas lá longe e diz que Mirandópolis tem um grande potencial, mas para isso é preciso que as pessoas se unam mais e busquem apoio dos nossos governantes. Nós precisamos de pessoas que enxergam Mirandópolis com amor!


                       
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