‘A minha vida foi guiada por três coisas: família, trabalho e esporte. São coisas que sempre priorizei’, explica Douglas Coelho

‘A minha vida foi guiada por três coisas: família, trabalho e esporte. São coisas que sempre priorizei’, explica Douglas Coelho

Foto: Eduardo Mustafa

Conversamos com Douglas Rodrigues Coelho, que nasceu no dia 17 de julho de 1953. O mirandopolense começou a trabalhar com oito anos na roça com seu pai. Depois quando veio morar na cidade, em 1963, trabalhou como engraxate, servente de pedreiro, saqueiro e entregador. Em 1976 passou em um concurso público e foi trabalhar na CESP, empresa que ficou por 30 anos até se aposentar. Amante do esporte, Douglas que é faixa preta de judô tem nos últimos anos se dedicado ao vôlei adaptado. Confira na sequência a entrevista completa.

Onde nasceu e cresceu?

Nasci em Mirandópolis no ano de 1953. Cresci em uma casa com pai, mãe e seis irmãos. Nós morávamos em um sitio, viemos para a cidade em 1963, mas meu pai continuou trabalhando na roça. A minha infância foi boa, mas desde cedo já ajudava ele de alguma forma. Com oito anos tenho lembrança de ir levar a marmita pro meu pai na hora do almoço e com isso ficava a parte da tarde trabalhando.

Quais outras funções trabalhou?

Quando cheguei em Mirandópolis, em 1963, comecei a trabalhar como engraxate. Tenho recordações de engraxar o sapato do Manoel Alves de Athayde, Aparecido Cabrini, Alcides Nogueira de Sillos, entre outras pessoas que na época eram relevantes politicamente e comercialmente, podemos dizer. Fiquei até os 14 anos mais ou menos nessa função, até que meu pai me levou para trabalhar na roça em Valparaiso, mas lá fui trabalhar como cozinheiro (risos). Depois fui servente de pedreiro, até que entrei na Escola Comercial, que hoje é a Escola 14 de Agosto, e tinha o diretor Pedro Paulo, com quem fiz um combinado de pagar metade em dinheiro e a outra metade em serviço. Então quando terminava as aulas a minha obrigação era arrumar as carteiras e fazer a limpeza das salas. Terminei o segundo grau e tinha em mente servir o exercito, mas em 1971 meu pai faleceu. Eu era o filho mais velho, com isso acabei ficando com a obrigação de cuidar da família. Com isso fui trabalhar nas cooperativas – Central e Cotia, na sequência trabalhei em um supermercado como repositor e entregador. Lá fiz de tudo, trabalhei do açougue e até caixa. Mas tinha uma coisa que meu pai sempre me dizia que ficava martelando na minha mente, que era para eu tentar entrar em algum concurso publico.

E conseguiu?

Fiz três concursos, policia militar, inspetor de aluno e CESP. Fui aprovado nos três ao mesmo tempo. A minha vontade mesmo era ser policial, mas decidi entrar na CESP por conta do salário que era maior. Entrei em 1976, como auxiliar de eletricista, fiquei por 30 anos até aposentar como Eletricista 4. O engraçado é que logo que entrei na CESP, passei em um concurso em Campinas, na Siemens do Brasil. O salário era melhor ainda, mas precisava morar em Campinas e eu iria viajar por alguns países da América do Sul. Por isso não aceitei, porque eu e a minha mulher não queríamos sair de Mirandópolis.

Quando casou?

Casei em 1977, tive três filhos e tenho quatro netas. Infelizmente perdi um filho nessa trajetória de vida. Importante falar já que estamos em setembro e tem a campanha Setembro Amarelo em relação a saúde mental.  O Ricardo não aparentava nada da questão da depressão. Ele não dava nenhum sinal, nem em casa e nem para os amigos, mas infelizmente guardava as coisas para ele e não suportou. A vida é assim, com altos e baixos, são coisas que não esperávamos passar, mas de alguma forma precisamos superar para seguir a vida.

Sempre gostou de praticar esporte?

Sim, comecei jogando futebol, principalmente no Kaikan velho. Lá eu conheci um professor de Guaraçaí que me incentivou a praticar judô. Treinei muitos anos, até que cheguei a faixa preta. Também pratiquei por muitos anos corrida. O vôlei também sempre gostei de jogar, mas com o passar do tempo passei a praticar o vôlei adaptado. Joguei alguns anos por Mirandópolis e Lavínia, mas ultimamente participo por Três Lagoas, onde disputamos a Liga Nacional e Sul-Americano.

Qual a sua ligação com Mirandópolis?

Conheci as pessoas que formaram a cidade. Lembro de Mirandópolis quando as principais ruas eram de terra. Lembro das festas da cerveja, dos carnavais e do futebol no estádio. Não vou citar nomes porque posso esquecer, mas tenho carinho e respeito por diversas famílias que me ajudaram em Mirandópolis. Tenho muito orgulho de dizer que sou mirandopolense.


                       
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