Falta de diálogo com a Prefeitura motiva saída de liderança da Cooperativa Global de Reciclagem após 12 anos de serviço

Falta de diálogo com a Prefeitura motiva saída de liderança da Cooperativa Global de Reciclagem após 12 anos de serviço

Foto: AGORA NA REGIÃO

Após 12 anos à frente da Cooperativa Global de Reciclagem, Márcio Ferreira de Souza, um dos nomes mais emblemáticos na promoção da reciclagem em Mirandópolis, anunciou sua saída da liderança da associação. O ex-representante alegou falta de diálogo com a Prefeitura local, enfatizando que as portas estavam trancadas, culminando em sua decisão de se desligar da cooperativa que ajudou a estabelecer.

Márcio, que recentemente passou em um concurso na Prefeitura de Ilha Solteira, explicou que os atritos com a administração municipal de Mirandópolis começaram a surgir com a chegada do atual prefeito, Ademiro Olegário dos Santos (PSD), o Mirão. Ele afirma que os problemas surgiram após iniciar conversas com vereadores para cobrar explicações sobre a falta de apoio da Prefeitura à Cooperativa.

Segundo Márcio, essa abordagem levou o departamento de Meio Ambiente a impor uma série de exigências documentais e contábeis à Cooperativa, alegando irregularidades na atuação. “Até passei a sentir que se tratava de uma questão pessoal”, disse Márcio, que ressaltou que novas lideranças, alinhadas ao prefeito, estão à frente da Cooperativa.  

O ex-líder confirmou que a Cooperativa enfrenta desafios administrativos desde 2019, devido à falta de controle contábil, mas sempre priorizou manter os serviços em andamento para garantir que muitas famílias continuassem a receber pelo trabalho. 

“Também não tive apoio para regularizar a situação. Já cheguei a tirar dinheiro do meu próprio bolso para pagar com as despesas com transporte do material”, disse Márcio. 

Ele agradeceu o apoio que recebeu de ex-prefeitos, incluindo José Antônio Rodrigues, Chicão Momesso, Regina Mustafa, Carlos Weverton e Everton Sodario. No entanto, ressaltou que os problemas surgiram durante a gestão de Mirão no início deste ano. 

“Todos os ex-prefeitos sempre tiveram uma sensibilidade com a cooperativa. Lembro que a dona Regina, por exemplo, manteve as cestas básicas dos colaboradores mesmo em uma situação difícil que a Cooperativa atravessava”, falou Márcio. Atualmente, nenhum cooperado recebe mais a cesta básica. 

A situação atual da Cooperativa Global de Reciclagem é delicada, com apenas 12 colaboradores recebendo salários mensais que variam entre R$ 800 e R$ 1.000. 

A quantidade de materiais recicláveis coletados também diminuiu consideravelmente, atualmente limitando-se a oito toneladas por mês, em comparação com as mais de 30 toneladas do passado.

A Cooperativa já contou com mais de 35 trabalhadores, mas muitos deixaram a organização para se tornarem independentes devido à falta de incentivo da Prefeitura, o que resultou em uma redução drástica na quantidade de materiais coletados. 

Segundo Márcio, esses trabalhadores independentes passaram a competir com a Cooperativa, coletando materiais em horários diferentes, deixando quase nenhum material reciclável disponível.

LIXO ACUMULADO

Além disso, segundo Márcio a Prefeitura deixou de contribuir estruturalmente para a Cooperativa, não coletando rejeitos e resíduos resultantes da triagem e também não fornecendo materiais básicos de trabalho. 

Como resultado, cerca de 10 toneladas de materiais se acumularam no solo da Cooperativa, causando danos ao meio ambiente. Márcio ressaltou que esses materiais estão no local há mais de 60 dias, sem nenhuma ação efetiva da Prefeitura.

A reportagem do Jornal AGORA NA REGIÃO realizou uma visita ao local e constatou uma situação preocupante, com acúmulo de material reciclável e lixo descartado diretamente no solo. Durante a visita, a equipe conversou com duas colaboradoras da cooperativa, que relataram estar sem energia no local há duas semanas, o que impossibilita o uso dos equipamentos necessários para o processo de reciclagem. Além disso, as trabalhadoras revelaram que precisam trazer água gelada de suas casas devido à falta de energia na geladeira das instalações. Elas também compartilharam que recebem uma remuneração mensal que varia entre R$ 600 e R$ 800 pelo serviço prestado, o que mostra a difícil situação enfrentada pelas trabalhadoras e a necessidade de melhorias nas condições de trabalho na Cooperativa.

A equipe de reportagem procurou a Prefeitura de Mirandópolis para comentar as alegações feitas por Márcio Ferreira de Souza, mas até o fechamento desta matéria, não obtivemos uma resposta oficial. O espaço está aberto. 


                       
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