Tudo nas mãos de Deus

Tudo nas mãos de Deus

Foto: Pleno News

Há algo consagrado e eficaz na vida cristã que não deve ser descartado, sob o risco de sofrimentos estéreis, inclusive neuroses e coisas do tipo: a oferta de si mesmo e de tudo o que se passa na vida. Na famosa oração de oferecimento diário aos Corações de Jesus e de Maria, reza-se: “Ofereço-vos, ó meu Deus, em união com o Santíssimo Coração de Jesus, por meio do Coração Imaculado de Maria, as orações, as obras, os sofrimentos e as alegrias deste dia, em reparação de nossas ofensas e por todas a intenções pelas quais o mesmo Divino Coração está continuamente intercedendo e se sacrificando em nossos altares”.

A vida de vários santos revela sua escolha pela via do sofrimento, como escreve São Paulo em sua Carta aos Colossenses (cap. 1, v. 24): “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja”. É a luta de tudo suportar, por amor, para a conversão da humanidade e expiação dos pecados, próprios e dos outros.

Esse modelo de oferecimento também serve ao cristão comum, mesmo que pouco afeito ao caminho da cruz. Se faltar o amor, resta-lhe a inteligência: pensando bem, não é sensato carregar sozinho todas as amarguras e sofrimentos da vida, pois certas situações são humanamente insolúveis e quando Deus parece tardar em resolvê-las, pode-se cair no desespero e na desconfiança da Providência divina. Nas mãos do Senhor, as derrotas se tornam causa de soerguimento.

O mesmo ocorre inclusive com o pecado: é evidentemente vantajoso levar uma vida de santidade desde a infância como o Pe. Pio, mas também é redentor, após uma vida de pecado (ou após cada pecado), detestá-lo ao máximo, desejar nunca o ter cometido, sofrer o peso do arrependimento e, com o auxílio do sacramento da confissão, oferecer o sentimento de dor ao Senhor, tornando tudo isso uma grande forma de penitência – um autêntico instrumento de santificação. Não é remorso (que paralisa), mas uma ojeriza a tudo o que ofende a Deus e uma entrega total e redentora a Ele, que traz paz verdadeira.

Desse modo, queridos irmãos, neste tempo já próximo da Quaresma, vamos buscar oferecer tudo a Deus com confiança e sinceridade de coração, e ao invés de nos lamuriarmos pelas tribulações, reveses e erros, assumi-los com humildade e clamarmos para que se revertam em graças para nós e o mundo inteiro.


                       
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