O justo Juiz

O justo Juiz

Desgraçadamente os brasileiros são lembrados no exterior pelo carnaval e por outras vergonhas mais, e ainda que um povo não deva satisfação a outro a respeito de suas inclinações e preferências, temos que reconhecer a importância das avaliações que nos são feitas – especialmente se vindas de pessoas abalizadas. Decerto nem precisaríamos desse olhar externo para um mea culpa, mas como diz o Livro de Provérbios, “O caminho do insensato parece-lhe justo, mas o sábio ouve os conselhos” (cap. 12, v. 15).

Uma dessas vergonhas é quanto aos nossos julgamentos: há no brasileiro muita pressa em opinar sobre o que quer que seja e julgar quem quer que conheça, demonstrando uma nítida ausência de virtude. Soma-se a isto uma notória deficiência nos juízos, seja por estagnação da inteligência, seja por falta de conhecimento ou sabedoria, o que torna a coisa ainda mais grave.

É impossível dizer o percentual de gente do nosso povo que age assim, de modo que qualquer quantificação seria injusta e se enquadraria no mesmo erro aqui exposto; mas é uma multidão. Com a maior freqüência do mundo e espantosa naturalidade, vemos julgamentos infundados e opiniões apressadas sobre tudo e todos – lamentavelmente, também nos ambientes eclesiais. Conhecendo só superficialmente quase todas as coisas, especialmente a Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério Eclesiástico (fontes seguras para um juízo sensato), julgam a todo instante, com a maior impiedade, as coisas mais banais e mesmo os próprios benfeitores.Estamos em tempo pascal, o que para muitos significa esquecer os exercícios penitenciais da Quaresma e voltar à dita “vida normal”, comendo mais que o necessário, falando mais do que se deve e escamoteando a trave do próprio olho ao reparar o cisquinho no olho alheio (leiamos o cap. 7 do Evangelho de São Mateus).

No entanto, queridos irmãos, entre nós não deve ser assim! Lembremo-nos sempre de que o Cristo que morreu e ressuscitou por nossos pecados é o mesmo que nos ensinou o caminho da perfeição e que, estando assentado à direita do Pai, julgará com justiça a cada um nós, sem exceção. Que Ele tenha misericórdia e nos dê a graça de viver retamente, até o final!


                       
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