Venha a nós o vosso Reino

Venha a nós o vosso Reino

Muita gente acha monarquia coisa ultrapassada e república coisa moderna, mas uma simples verificação dos fatos e dos registros históricos desfaz tal erro: ao passo que a Roma antiga já havia experimentado a forma de governo republicana, ainda hoje há várias monarquias, e a Inglaterra é seu exemplo mais famoso. Há diferenças entre elas, e não é casualidade quando se afirma a existência de um Reino divino e se diz que Jesus é o Rei do universo – não seu presidente ou primeiro-ministro. Trata-se de uma definição, ainda que o Reino de Deus transcenda qualquer reino humano, por justo e santo que seja.

No Pai-Nosso, Jesus nos ensina a pedir ao Pai que seu Reino venha até nós, o que significa que ele pertence ao Pai e ainda não foi totalmente instaurado – se já o tivesse vindo, não estaríamos mais neste vale de lágrimas. Ele não é um sistema político, mas algo que vem do próprio Deus e que, à semelhança das monarquias, possui um soberano (Deus, que governa e manda) e seus súditos, que a Ele obedecem.

Como lemos no Evangelho de São Lucas, o Reino de Deus já foi iniciado: quando os fariseus perguntam quando seria sua instauração, Jesus responde que ele “não virá de um modo ostensivo” (cap. 17, v. 20), pois já está no meio de nós, embora não completamente – é o que temos ouvido nas parábolas da liturgia deste e dos dois últimos domingos, que nos apresentam Deus não como um rei despótico que à força faz valer sua vontade, pois Ele é o Pai que só quer o bem a seus filhos e tem paciência com eles; seu reinado é o do mais sublime amor, e nós obedecemos a Ele sabendo que sua vontade soberana é também boníssima e perfeitíssima.

Como nos ensina São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, só mesmo no fim dos tempos é que Jesus, em sua vinda definitiva, vai “entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação” (cap. 15, v. 24), consumando assim sua obra redentora. Por ora, queridos irmãos, nosso o desafio é ficarmos firmes na fé, inabaláveis na confiança e assíduos na oração, suplicando com todas as nossas forças: Pai, que o vosso Reino venha e se expanda a cada dia entre nós!


                       
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