Turma do 9º A: Sesi Mirandópolis é homenageado na Mostra Internacional do Cinema Negro em São Paulo

Turma do 9º A: Sesi Mirandópolis é homenageado na Mostra Internacional do Cinema Negro em São Paulo

Foto: Divulgação

Começou no dia 16 de novembro, em São Paulo, a 19ª edição da Mostra Internacional do Cinema Negro (Micine), que exibe até o dia 3 de dezembro, no Sesi-SP, produções cinematográficas e mesas redondas que fortalecem a importância da conscientização para a luta antirracista. O tema “D’África à diáspora: o pensamento antirracista de Kabengele Munanga” vem com o objetivo de observar as dinâmicas das relações étnico-cinematográficas da africanidade e homenagear o professor e antropólogo Kabengele Munanga. 

Durante o evento, o professor Cleber Ferreira foi o “Grande Homenageado” por conta de um trabalho realizado com a turma 9º A do Sesi Mirandópolis, que abordou as questões raciais e das minorias na Rede SESI-SP, o qual sensibilizou de maneira crítica os estudantes acerca das diferenças na busca da equidade em nossa sociedade.

“A nossa proposta foi desenvolver uma jornada para a criação e implementação de ações antirracistas que enalteçam Direitos Humanos em nosso cotidiano. Para isso, analisamos a obra cinematográfica “Quanto vale, ou é por quilo?”, refletimos a temática abordada, procurando elucidar as formas que o racismo e o preconceito contra as minorias estão estruturados em nossa sociedade”, explica Cleber.

Cleber Ferreira exibindo a homenagem recebida durante evento em São Paulo. Foto: Arquivo Pessoal

O professor comenta que foi proposto o estudo da cartilha “Direitos Humanos e combate ao racismo”, que inspirou a criação de um jornal intitulado “Racismo em Xeque”. Para a primeira edição, o foco foi entender o racismo como um fenômeno social e não biológico. Nesse contexto, trouxe também a questão histórica, abordando o tráfico humano, a exploração compulsória e a desigualdade social.

“Ao desenvolver a segunda edição, abordamos o conceito de “branquitude” e “colorismo” e o racismo estrutural. A terceira publicação procurou elucidar como saber se uma ação é racista, bem como expressões populares que refletem o racismo. O tal “Racismo reverso” — Discriminação contra pessoas não negras — Apropriação cultural — Lugar de fala, foi amplamente discutido na quarta edição. E na última edição, focamos no Racismo institucional — Como é possível erradicar essas práticas: ações afirmativas — reflexões sobre as cotas e o trabalho com outras referências sobre a temática”, detalha Ferreira

VIVÊNCIA NA PRÁTICA

Com o objetivo de proporcionar contato com outros grupos de minorias, foi realizado um café da manhã em parceria com a APAE de Mirandópolis. O objetivo foi possibilitar um novo olhar sobre o tema, onde os estudantes leram durante cinco aulas do Eixo Interáreas o livro da escritora brasileira Djamila Ribeiro, “Pequeno Manual Antirracista”.

“Através de estratégias de leitura, fomos refletindo sobre aspectos importantes da obra, contextualizando e relacionando com o cotidiano, possibilitando assim a intertextualidade. Servindo-se do repertório obtido com a leitura da obra de Djamila Ribeiro, foi desenvolvida a produção de resumos que subsidiaram através de citações indiretas, o posicionamento da autora no documentário”, finaliza Cleber.

QUEM É KABENGELE MUNANGA

Antropólogo brasileiro-congolês, Kabengele Munanga é especialista em antropologia da população afro-brasileira, sempre refletindo atentamente sobre a questão do racismo na nossa sociedade.

Kabengele é graduado pela Universidade de Lubumbashi e doutor em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP). Tornou-se uma referência, fonte de inspiração para pesquisadores críticos e reflexivos da academia, além dos militantes de diretos humanos, notadamente, do movimento social negro.

Para Celso Luiz Prudente, curador da Mostra Internacional do Cinema Negro, “o cinema negro traz a africanidade como sujeito, rompendo, de modo disruptivo, com a condição de objeto, caracterizado na tentativa de fragmentação dos seus traços epistêmicos, imposto por meio do cinema e dos audiovisuais como um todo, usando estereótipos de inferioridade racial”.


                       
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